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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Crítica Cinema | Soul

(Mais que um filme, uma autoajuda sobre os verdadeiros valores da vida)


O que é que o torna... VOCÊ? Joe Gardner (Jamie Foxx) é um professor de música do ensino fundamental, ele tem a chance de tocar no melhor clube de jazz da cidade. Mas um pequeno passo em falso o leva das ruas de Nova York para o Pré-vida, um lugar fantástico onde novas almas obtêm suas personalidades, peculiaridades e interesses antes de irem para a Terra. Determinado a retornar à sua vida, Joe se junta a uma alma precoce, a 22 (Tina Fey), que nunca entendeu o apelo da experiência humana. Enquanto Joe tenta desesperadamente mostrar a 22 o que é ótimo na vida, ele pode apenas descobrir as respostas para algumas perguntas mais importantes da vida. Elenco de dubladores originais ainda contam com Graham Norton, Rachel House, Alice Braga, Angela Bassett, entre outros. Longa tem a direção de Peter Docter. Produção da Disney Pixar. Estreou exclusivamente no serviço de streaming do Disney Plus em 25 de dezembro de 2020. Para o trailer, clique aqui.

Soul


A Pixar em 2015 trouxe uma das maiores animações da história, que foi o Divertida Mente, o longa trabalhou com sentimentos de uma forma inteligente, criativa e colorida. Isso trouxe um ápice de qualidade (Que é meio que rotina para eles, vide tantas outras belas produções) à empresa, do qual ganhou inúmeros prêmios e foi um sucesso de crítica. Após cinco anos, a empresa volta (Sempre com a chancela Disney) a trabalhar com sentimentos, agora de uma forma mais profunda, que beira a uma trajetória psicológica sobre anseios, objetivos e forma de ver a vida... Não deixa de ser até uma autoajuda e descobrimento dos seus verdadeiros valores. Contar esse tipo de história em uma animação voltada para criançada não é fácil, já que são abordagens que acabam atingindo mais aos adultos, pois conseguimos entender melhor as mensagens passadas pelo roteiro... do que uma criança. O público infantil quer personagens coloridos, divertidos e músicas legais. Em Soul, a trama conversa diretamente com adultos e vai levando sua jornada para reflexões do que realmente é importante, se bem assimilado, vira uma terapia da vida. Como um produto infantil, já não tem o apelo do Divertida Mente, pois aqui, o máximo seria nas almas verdinhas dos personagens, onde inclui os protagonistas Joe e 22... Até tem um certo carisma, mas pouco para cativar de uma forma mais duradoura, além disso, alguns traços meio psicodélicos do mundo das almas e a parte dos personagens reais em uma Nova York suburbana movida a jazz, trazem contrastes que são importantes para a narrativa, mas não as deixam tão carismáticas assim.


A forma que foi construída o mundo das almas na Pré-vida e os anseios dos personagens principais são elaboradas de uma forma muito criativa. A jornada do Joe se baseia em voltar para seu corpo e atingir o que ele achar ser o seu maior objetivo de vida, para isso precisa convencer a 22 que ela precisa saber sua missão, a única característica que uma alma precisa ter a mais para ir nascer na Terra. Claro que, além disso, tem um plot no meio da história que os leva ao mundo real, tendo ali uma busca para que Joe cumpra o seu destino original. Mas temos essa missão tratada de forma bem desenvolvida, pois a história dá a entender que é necessário algo muito grandioso aconteça para se cumprir esse objetivo, só que ao longo da trama, as coisas verdadeiramente importantes vão surgindo, isso vai mudando os dois protagonista, tudo correndo de forma bem natural. Outros pontos interessantes são as formas de trabalhar comportamentos, exemplo é uma região do Pré-vida onde as pessoas mesmo vivas, ficam com suas almas presas de tristeza por lá, pois as mesmas colocam situações, pensamentos, estilo de vida ou outras pessoas... acima delas mesmo, isso vai ser muito importante para o ápice do filme, lá no final. Além disso, constrói bem o fato de uma pessoa querer muito algo, sobe a crença que era aquilo que almejava e não perceber o que verdadeiramente era importante. Tudo situações da vida real, do qual repito, adultos vão se familiarizar, já crianças não... adolescentes talvez. O roteiro segue bem nessa pegada,  só dando uma enroladinha perto do fim, pois ao abordar esses assuntos mais sérios, às vezes a forma fantasiosa de resolver (Sempre ressaltando que estamos falando de um longa-animado infantil) são um pouco atrapalhadas, mas nada que mude o cerne e conceitos efetuados em Soul. Pois os objetivos são cumpridos ao final dos três atos, se não totalmente resolvidos, mas com a mensagem entregue, do que é importante realmente para se viver.


O visual é meio bolachudo, tanto das almas, como dos personagens humanos, gostei, pois dá um impacto diferente na forma de se expressar deles. O design do mundo das almas e a forma que os seres que as coordenam são desenhados podem estranhar no começo, mas são contextuais e importantes dentro do que acontece no filme. As cores são mais esverdeadas quando falamos do mundo Pré-vida, e mais boêmia quando estão no mundo real, sempre lembrando que tudo se baseia em um músico de jazz, procurando a grande chance de explodir na carreira. Ao decorrer da trama, não temos grandes furos narrativos. O humor, importante em animações, não são tão escrachados, um negócio mais cabeça na maioria do tempo. A trilha sonora consegue passar uma emoção muito boa nos momentos decisivos. A dublagem brasileira está agradável de ouvir, como tudo basicamente é focado no Joe e 22, a entrega das falas e a emoção ou questionamentos nos momentos dramáticos, são bem feitos. Soul era para ter ido para os cinemas, mas devido a pandemia, foi parar no Disney Plus. Seria bem gratificante ter visto nas telonas, pois a história é cativante, realista e que o faz pensar e refletir do que é realmente importante na vida. Ao longo da trama, tudo vai fazendo sentido... pois em algum momento, você vai se identificar ou lembrar de alguém daquele jeito. Uma jornada a psique humana, sobe um pano de fundo contado de uma forma fantasiosa. Belo filme.

Imagens fornecidas pelas assessorias ou retiradas da internet para divulgação/Biografias usadas são da IMDB
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 Dúvidas, sugestões, parcerias e indicações: contato.parsageeks@gmail.com

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