quarta-feira, 2 de setembro de 2026

50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: veja os filmes confirmados até agora

(Festival reúne produções premiadas e destaques do Festival de Cannes, incluindo novos trabalhos de Andrey Zvyagintsev, Kiyoshi Kurosawa, Sandra Wollner, James Gray e Pawel Pawlikowski)

Tigre de Papel

A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo começa a ganhar forma com a confirmação de novos títulos que passaram pelo Festival de Cannes. Entre os filmes anunciados estão produções premiadas em diferentes seções do tradicional festival francês, além de obras de cineastas consagrados do cinema mundial.

Entre os destaques está Minotaur, novo filme de Andrey Zvyagintsev, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes. Também foram confirmados The Samurai and the Prisoner, de Kiyoshi Kurosawa; Everytime, de Sandra Wollner; Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani; e Clarissa, dos irmãos nigerianos Arie e Chuko Asiri.

Esses títulos se juntam a três filmes de Cannes que já haviam sido anunciados anteriormente: Tigre de Papel, de James Gray; A Terra do Meu Pai, de Pawel Pawlikowski; e All of a Sudden, de Ryusuke Hamaguchi.

Filmes confirmados na 50ª Mostra

Minotaur, de Andrey Zvyagintsev


Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, Minotaur é dirigido pelo cineasta russo Andrey Zvyagintsev, atualmente exilado na França.

O diretor é conhecido por obras como O Retorno, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza e exibido na 27ª Mostra; Elena, vencedor do Prêmio Especial do Júri na seção Um Certo Olhar de Cannes e exibido na 35ª Mostra; Leviatã, vencedor do prêmio de melhor roteiro em Cannes e do prêmio da crítica na 38ª Mostra; e Sem Amor, vencedor do Prêmio do Júri em Cannes e exibido na 41ª Mostra.

Sinopse: Em 2022, na Rússia, Gleb é um bem-sucedido diretor executivo que se vê cada vez mais pressionado pelo ambiente corporativo e pela instabilidade de um mundo em transformação. Enquanto tenta manter o controle sobre uma vida cuidadosamente organizada, sua realidade começa a desmoronar, conduzindo-o de maneira inevitável rumo à violência.

The Samurai and the Prisoner, de Kiyoshi Kurosawa


Apresentado na seção Première do Festival de Cannes, The Samurai and the Prisoner é o novo trabalho do japonês Kiyoshi Kurosawa, um dos nomes mais importantes do cinema contemporâneo de seu país.

Kurosawa dirigiu filmes como Cure (1997), Pulse (2001), Futuro Brilhante (2003), Crimes Obscuros (2006), Sonata de Tóquio (2008), exibido na 32ª Mostra e vencedor do Prêmio do Júri em Um Certo Olhar, Para o Outro Lado (2015), exibido na 39ª Mostra e vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes, além de O Segredo da Câmara Escura (2016), Antes que Tudo Desapareça (2017) e A Mulher de um Espião (2020), pelo qual recebeu o prêmio de melhor direção no Festival de Veneza.

Sinopse: Quando o lorde Murashige Araki se rebela contra o tirânico Nobunaga Oda, ele acaba cercado dentro das muralhas de seu próprio castelo. Isolado, passa a enfrentar uma série de crimes misteriosos que provocam medo e desconfiança entre os integrantes da corte.

Com o exército de Oda se aproximando e um traidor escondido entre seus homens, Murashige precisa fazer uma aliança improvável com Kanbei Kuroda, um brilhante e perigoso estrategista mantido como prisioneiro na fortificação.

Ao lado de sua esposa, Chiyoho, e de seus generais mais leais, ele terá de descobrir a verdade antes que o castelo seja invadido.

Everytime, de Sandra Wollner


A austríaca Sandra Wollner chega à 50ª Mostra com Everytime, vencedor da mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes.

A diretora ganhou destaque internacional com seu filme de conclusão de curso, The Trouble with Being Born (2020), exibido na 44ª Mostra. O longa teve estreia mundial na Berlinale, na seção Encounters, onde recebeu o Prêmio Especial do Júri.

A produção também conquistou os prêmios do Cinema Austríaco de Melhor Diretora e Melhor Longa-Metragem, além do prêmio da crítica cinematográfica alemã de Melhor Longa-Metragem e Melhor Fotografia.

Sinopse: Na noite anterior à viagem de férias de Ella e suas duas filhas, Jessie sai escondida para uma festa com o namorado, Lux. O casal sobe até o topo de um prédio para assistir ao nascer do sol. Enquanto Lux adormece, Jessie caminha até a beirada e cai, morrendo imediatamente.

Um ano depois, Ella e sua filha mais nova, Melli, tentam reconstruir uma rotina frágil. Quando Lux reaparece em suas vidas, Ella não consegue admitir que o culpa pela morte de Jessie, enquanto ele não consegue reconhecer o quanto precisa do perdão dela.

Em um impulso inesperado, Ella leva Lux e Melli para Tenerife, repetindo a viagem de férias que nunca aconteceu. Sob o sol da ilha, passado e presente começam a se misturar silenciosamente.

Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani


A cineasta e atriz iraniana Pegah Ahangarani, atualmente radicada em Londres, apresenta Rehearsals for a Revolution, vencedor do Olho de Ouro de Melhor Documentário em Cannes e exibido nas Sessões Especiais do festival.

Nascida no Irã em 1984, Ahangarani começou sua carreira como atriz aos sete anos de idade, no filme The Singer Cat, de Kambuzia Partovi. Depois de protagonizar The Girl in the Sneakers, de Rasoul Sadrameli, em 1999, participou de mais de 40 filmes.

Paralelamente à atuação, passou a trabalhar com documentários. Dirigiu os curtas I Am Trying to Remember (2021), My Father (2023) e As I Lay Dying (2025), selecionados por importantes festivais internacionais.

Também dirigiu dois documentários para a televisão: Child Soldier, da BBC World, em 2024, e Taraneh, em 2025. Rehearsals for a Revolution é seu primeiro longa-metragem documental.

Sinopse: Por meio de cinco retratos de familiares e mentores — cinco diferentes expressões de resistência —, Pegah Ahangarani reconstrói sua própria história e a trajetória recente do Irã.

Utilizando arquivos pessoais, vídeos caseiros, imagens de protestos, jornais e gravações de voz, a diretora revisita mais de quatro décadas da história do país, desde o início da Revolução de 1979 até a guerra iniciada em 2026.

O filme mistura memórias pessoais e coletivas para retratar um país marcado pela repressão política e pela esperança constante de uma nova revolução.

Clarissa, de Arie e Chuko Asiri


Exibido na Quinzena de Cineastas do Festival de Cannes, Clarissa é o segundo longa-metragem dos irmãos nigerianos Arie e Chuko Asiri.

Nascidos em Warri, na Nigéria, com apenas trinta minutos de diferença, os irmãos cresceram em Lagos e construíram uma parceria cinematográfica. Ambos estudaram roteiro e direção em Nova York: Arie na Universidade Columbia e Chuko na Universidade de Nova York.

A dupla estreou no longa-metragem com Eyimofe (2020), que teve estreia no Festival de Berlim e conquistou o Prêmio do Júri de Melhor Filme de Ficção na 44ª Mostra.

Sinopse: Em Lagos, a socialite Clarissa, interpretada por Sophie Okonedo, organiza uma recepção em sua casa e é surpreendida pelo reencontro com antigos amigos de sua juventude.

Ao longo da noite, o grupo revisita o passado e antigas relações marcadas por paixões, desejos reprimidos e sonhos que não se concretizaram. As memórias acabam trazendo à tona conflitos que exigem um acerto de contas.

O elenco inclui ainda Ayo Edebiri, David Oyelowo e India Amarteifio.

Outros filmes de Cannes já confirmados na 50ª Mostra

Além dos cinco novos títulos anunciados, a 50ª Mostra já havia confirmado outros três filmes apresentados na competição do Festival de Cannes.

Tigre de Papel, de James Gray


Dirigido pelo norte-americano James Gray, Tigre de Papel acompanha dois irmãos em busca do chamado sonho americano.

Gray nasceu em Nova York, em 1969, e cresceu no Queens. Estudou na Escola de Cinema e Televisão da Universidade do Sul da Califórnia e estreou na direção em 1994 com Little Odessa, vencedor do Leão de Prata no Festival de Veneza.

O diretor também realizou Caminho Sem Volta (2000), Os Donos da Noite (2007), Amantes (2008), Era Uma Vez em Nova York (2013) e Armageddon Time (2022), exibido na 46ª Mostra. Todos estiveram na competição principal de Cannes.

Entre seus outros trabalhos estão Z: A Cidade Perdida (2016) e Ad Astra: Rumo às Estrelas (2019).

Sinopse: O engenheiro Irwin Pearl, interpretado por Miles Teller, construiu uma família ao lado de Hester, vivida por Scarlett Johansson. Seu irmão Gary, interpretado por Adam Driver, seguiu carreira na polícia.

Quando Gary apresenta a Irwin uma oportunidade de negócio aparentemente boa demais para ser verdade, os dois acabam envolvidos com o perigoso mundo da máfia russa. A situação coloca os irmãos em lados cada vez mais distantes e provoca consequências capazes de transformar suas vidas para sempre.

A Terra do Meu Pai, de Pawel Pawlikowski


Vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, A Terra do Meu Pai é dirigido pelo cineasta polonês Pawel Pawlikowski.

Nascido em Varsóvia, Pawlikowski mudou-se para o Reino Unido em 1977. Estudou literatura e filosofia e começou sua carreira realizando documentários para a televisão britânica.

Seu primeiro longa-metragem, Last Resort, foi lançado em 2000. Entre seus principais trabalhos estão Meu Amor de Verão (2004), exibido na 29ª Mostra, Estranha Obsessão (2011), Ida (2013), vencedor do Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, e Guerra Fria (2018), exibido na 42ª Mostra e vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes.

Sinopse: No verão de 1949, no auge da Guerra Fria, o escritor vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann, interpretado por Hanns Zischler, e sua filha Erika, vivida por Sandra Hüller, embarcam em uma viagem de carro pelas ruínas da Alemanha.

A bordo de um Buick preto, eles partem de Frankfurt, então sob domínio norte-americano, em direção a Weimar, controlada pelos soviéticos.

De volta à Europa depois de 16 anos de exílio nos Estados Unidos, Thomas Mann precisa confrontar não apenas os destroços de uma Alemanha dividida, mas também as feridas profundas de sua própria família.

All of a Sudden, de Ryusuke Hamaguchi


O japonês Ryusuke Hamaguchi apresenta All of a Sudden, filme que rendeu o prêmio de melhor atriz para Virginie Efira e Tao Okamoto no Festival de Cannes.

Nascido em Kanagawa, no Japão, em 1978, Hamaguchi trabalhou na indústria cinematográfica antes de ingressar no curso de cinema da Universidade de Artes de Tóquio.

Seu filme de conclusão, Passion (2008), foi exibido no Festival de San Sebastián. Entre seus trabalhos estão Happy Hour (2015), Asako I & II (2018), Roda do Destino (2021), exibido na 45ª Mostra e vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, e Drive My Car (2021), vencedor do prêmio de melhor roteiro em Cannes e do Oscar de Melhor Filme Internacional.

Sinopse: Marie-Lou, interpretada por Virginie Efira, é diretora de uma instituição de longa permanência para idosos. Ela tenta implementar uma nova filosofia de cuidado, baseada na escuta e no respeito à dignidade dos residentes, mas encontra resistência dentro da própria equipe.

Sua trajetória muda quando conhece Mari, interpretada por Tao Okamoto, uma diretora de teatro japonesa que enfrenta um câncer.

A partir do encontro, as duas desenvolvem uma amizade profunda e solidária e passam a unir forças em uma luta comum para tentar tornar possível aquilo que parece impossível.

50ª Mostra reúne grandes nomes do cinema mundial

Com os títulos já anunciados, a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo começa a desenhar uma programação marcada por filmes premiados em Cannes e pela presença de importantes nomes do cinema contemporâneo.

A seleção reúne diferentes cinematografias e estilos, passando pelo drama, suspense, cinema histórico e documentário, além de diretores que possuem uma relação de longa data com a Mostra.

Até o momento, os filmes confirmados são:

Minotaur, de Andrey Zvyagintsev

The Samurai and the Prisoner, de Kiyoshi Kurosawa

Everytime, de Sandra Wollner

Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani

Clarissa, de Arie e Chuko Asiri

Tigre de Papel, de James Gray

A Terra do Meu Pai, de Pawel Pawlikowski

All of a Sudden, de Ryusuke Hamaguchi


A programação completa da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ainda será divulgada, e novos títulos deverão ser anunciados nas próximas semanas.

Imagens para divulgação fornecidas por assessorias ou retiradas da internet 
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