(Com batalhas grandiosas, animação de alto nível e um final controverso, o anime encerra sua jornada entre acertos técnicos e escolhas narrativas discutíveis)
By: Alan David
Chegou ao fim, no último mês, um dos grandes animes que ganharam força após o chamado Big 3 (One Piece, Naruto e Bleach). Estamos falando de My Hero Academia (Boku no Hero), que encerrou sua trajetória com a tão aguardada batalha final envolvendo Izuku Midoriya vs Tomura Shigaraki e All For One.
A temporada final de My Hero Academia é até simples de resumir: ela se estrutura basicamente em três grandes batalhas. Primeiro, All Might contra All For One; depois, Bakugou enfrentando All For One; e, por fim, o confronto derradeiro envolvendo Shigaraki, All For One e Izuku Midoriya. Essencialmente, é isso que sustenta toda a temporada.
No entanto, há um ponto fundamental que precisa ser destacado — e que curiosamente foi pouco mencionado: a qualidade visual dessa última temporada é impressionante. Os traços, a animação e a direção artística atingem um nível altíssimo, chegando muito perto do padrão estabelecido por Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba) e do atual momento de excelência visual de One Piece. Após o fenômeno de Kimetsu, ficou claro que as grandes produtoras passaram a ser pressionadas a elevar o nível técnico, e My Hero Academia entrega isso com maestria, especialmente durante todo o arco das batalhas.
Do episódio 1 ao episódio 9, a temporada final mantém um padrão visual praticamente impecável — notas 10 em animação e direção. Os dois episódios finais, que vêm após o encerramento dos conflitos, naturalmente não exigem o mesmo nível de espetáculo visual, e por isso adotam um tom mais contido. Ainda assim, o saldo técnico é extremamente positivo e digno de elogios. É uma pena, porém, que a franquia tenha perdido parte de sua força ao longo dos anos, afastando uma parcela do público. Não por falta de qualidade técnica — muito pelo contrário —, mas por decisões narrativas que acabaram diluindo o impacto da história. Houve excesso de arcos pouco relevantes e momentos de enrolação, como o arco da banda, que poderiam facilmente ter sido cortados. A trama, de forma geral, poderia ter sido encerrada com dois arcos a menos.
Para mim, o maior erro está no penúltimo arco, a primeira grande guerra entre Shigaraki, a Liga dos Vilões e os heróis. Esse conflito já havia entregado perdas significativas e consequências reais para o lado dos heróis. No arco final, essa guerra acaba sendo praticamente repetida, mas com menos impacto emocional, pois agora o foco está quase exclusivamente nas perdas dos vilões. Em um shonen clássico de bem contra o mal, o peso do sacrifício precisa ser sentido dos dois lados — e isso não acontece de forma visceral nessa reta final.
Sinopse:
Na temporada final de My Hero Academia, heróis e vilões entram em sua batalha definitiva. Enquanto Izuku Midoriya enfrenta Tomura Shigaraki, dominado por All For One, o destino do mundo dos heróis será decidido em confrontos que colocam à prova sacrifício, legado e esperança. Direção: Masahiro Mukai. Distribuição em streaming pela Crunchyroll.
Nota da Temporada Final: Muito Bom: 4/5
Com a conclusão dessa temporada derradeira, que marca o fim da jornada em busca de se tornar o maior herói do mundo, o anime entrega um desfecho que pode não ter seguido exatamente o caminho que muitos esperavam, mas que ainda assim reúne mais acertos do que falhas.
A análise dos três primeiros episódios — com as primeiras impressões dessa temporada final — já está disponível aqui e pode ser conferida clicando no link. Agora, é hora de olhar para a temporada como um todo e discutir o impacto, os temas e as decisões narrativas que definiram o encerramento de My Hero Academia, um dos shounens mais marcantes de sua geração.
A análise dos três primeiros episódios — com as primeiras impressões dessa temporada final — já está disponível aqui e pode ser conferida clicando no link. Agora, é hora de olhar para a temporada como um todo e discutir o impacto, os temas e as decisões narrativas que definiram o encerramento de My Hero Academia, um dos shounens mais marcantes de sua geração.
Bakugou
Do episódio 1 ao episódio 9, a temporada final mantém um padrão visual praticamente impecável — notas 10 em animação e direção. Os dois episódios finais, que vêm após o encerramento dos conflitos, naturalmente não exigem o mesmo nível de espetáculo visual, e por isso adotam um tom mais contido. Ainda assim, o saldo técnico é extremamente positivo e digno de elogios. É uma pena, porém, que a franquia tenha perdido parte de sua força ao longo dos anos, afastando uma parcela do público. Não por falta de qualidade técnica — muito pelo contrário —, mas por decisões narrativas que acabaram diluindo o impacto da história. Houve excesso de arcos pouco relevantes e momentos de enrolação, como o arco da banda, que poderiam facilmente ter sido cortados. A trama, de forma geral, poderia ter sido encerrada com dois arcos a menos.
Para mim, o maior erro está no penúltimo arco, a primeira grande guerra entre Shigaraki, a Liga dos Vilões e os heróis. Esse conflito já havia entregado perdas significativas e consequências reais para o lado dos heróis. No arco final, essa guerra acaba sendo praticamente repetida, mas com menos impacto emocional, pois agora o foco está quase exclusivamente nas perdas dos vilões. Em um shonen clássico de bem contra o mal, o peso do sacrifício precisa ser sentido dos dois lados — e isso não acontece de forma visceral nessa reta final.
A conclusão de All Might contra All For One, por exemplo, é particularmente decepcionante. Esperava-se o sacrifício definitivo daquele que foi, por tanto tempo, o símbolo da paz, o maior herói do mundo e inspiração para gerações. Esse momento tinha tudo para ser histórico, mas acaba esvaziado.
A decisão de inserir Bakugou de forma quase repentina para enfrentar All For One também soa estranha. Narrativamente, esse embate sempre pertenceu a All Might ou One for All (Midoriya). O roteiro tenta resolver isso ao “fundir” All For One a Shigaraki na batalha final, mas essa escolha acaba diluindo ainda mais o impacto do vilão.
Além disso, a série opta por alterar a construção de Shigaraki, transformando-o quase integralmente em uma vítima do sistema e das manipulações de All For One. Essa mudança divide opiniões e enfraquece a figura do vilão como força ativa do mal. Midoriya, por sua vez, continua sendo o Midoriya de sempre: dividido entre lutar e salvar, fiel aos seus ideais até o fim. Sua jornada já indicava, desde o início, que o poder do One For All não seria permanente, então a perda dos poderes não chega a ser uma surpresa. O que incomoda é a forma como isso culmina no epílogo.
O salto temporal final entrega um encerramento que desagradou muitos fãs. A frase icônica deixa de ser “como me tornei o maior herói” para “como todos nos tornamos heróis”, e vemos Midoriya levando uma vida comum, CLT como muitos leitores brincaram, mesmo após ele ter salvado o mundo de uma ameaça capaz de transformar toda a humanidade em pó. Essa escolha narrativa soa estranha e pouco recompensadora para o protagonista. Ainda assim, é impossível negar que My Hero Academia emociona. O anime já havia conseguido isso no arco do Dark Deku, e volta a provocar impacto emocional em vários momentos da batalha final, especialmente na união dos heróis e no clímax visual da vitória do bem contra o mal.
Visualmente, a temporada final supera até mesmo o mangá (que tem traços horríveis) em ritmo e profundidade. E com o anúncio do episódio especial (Episódio chamado "More"), previsto para maio, onde algumas dessas decisões foram retrabalhadas — especialmente no que diz respeito ao destino de Midoriya, sua relevância como herói e sua vida pessoal. Esse conteúdo extra adapta materiais posteriores compilados do mangá final e surge após o autor Kōhei Horikoshi ter recebido muitas críticas pelo desfecho original.
No fim das contas, My Hero Academia entrega uma temporada final belíssima do ponto de vista visual, com boas batalhas, momentos emocionantes e um encerramento que divide opiniões. Pode ter se perdido em alguns momentos ao longo do caminho, mas ainda assim marcou sua geração e garantiu seu lugar na história dos grandes animes modernos.
A decisão de inserir Bakugou de forma quase repentina para enfrentar All For One também soa estranha. Narrativamente, esse embate sempre pertenceu a All Might ou One for All (Midoriya). O roteiro tenta resolver isso ao “fundir” All For One a Shigaraki na batalha final, mas essa escolha acaba diluindo ainda mais o impacto do vilão.
Além disso, a série opta por alterar a construção de Shigaraki, transformando-o quase integralmente em uma vítima do sistema e das manipulações de All For One. Essa mudança divide opiniões e enfraquece a figura do vilão como força ativa do mal. Midoriya, por sua vez, continua sendo o Midoriya de sempre: dividido entre lutar e salvar, fiel aos seus ideais até o fim. Sua jornada já indicava, desde o início, que o poder do One For All não seria permanente, então a perda dos poderes não chega a ser uma surpresa. O que incomoda é a forma como isso culmina no epílogo.
O salto temporal final entrega um encerramento que desagradou muitos fãs. A frase icônica deixa de ser “como me tornei o maior herói” para “como todos nos tornamos heróis”, e vemos Midoriya levando uma vida comum, CLT como muitos leitores brincaram, mesmo após ele ter salvado o mundo de uma ameaça capaz de transformar toda a humanidade em pó. Essa escolha narrativa soa estranha e pouco recompensadora para o protagonista. Ainda assim, é impossível negar que My Hero Academia emociona. O anime já havia conseguido isso no arco do Dark Deku, e volta a provocar impacto emocional em vários momentos da batalha final, especialmente na união dos heróis e no clímax visual da vitória do bem contra o mal.
Visualmente, a temporada final supera até mesmo o mangá (que tem traços horríveis) em ritmo e profundidade. E com o anúncio do episódio especial (Episódio chamado "More"), previsto para maio, onde algumas dessas decisões foram retrabalhadas — especialmente no que diz respeito ao destino de Midoriya, sua relevância como herói e sua vida pessoal. Esse conteúdo extra adapta materiais posteriores compilados do mangá final e surge após o autor Kōhei Horikoshi ter recebido muitas críticas pelo desfecho original.
No fim das contas, My Hero Academia entrega uma temporada final belíssima do ponto de vista visual, com boas batalhas, momentos emocionantes e um encerramento que divide opiniões. Pode ter se perdido em alguns momentos ao longo do caminho, mas ainda assim marcou sua geração e garantiu seu lugar na história dos grandes animes modernos.
Na temporada final de My Hero Academia, heróis e vilões entram em sua batalha definitiva. Enquanto Izuku Midoriya enfrenta Tomura Shigaraki, dominado por All For One, o destino do mundo dos heróis será decidido em confrontos que colocam à prova sacrifício, legado e esperança. Direção: Masahiro Mukai. Distribuição em streaming pela Crunchyroll.
Nota da Temporada Final: Muito Bom: 4/5
Imagens para divulgação fornecidas por assessorias ou retiradas da internet aberta dada os devidos créditos
____________________________________________________________________
Dúvidas, sugestões, parcerias e indicações: contato.parsageeks@gmail.com






0 Comments:
Postar um comentário