(Entre críticas sociais, exageros narrativos e um plot central envolvente, o filme entrega suspense e diversão na medida certa)
By: Alan David
A Empregada é a adaptação de um best-seller que integra a trilogia de livros escrita por Frieda McFadden. O primeiro volume leva o mesmo nome do filme, seguido por O Segredo da Empregada e A Empregada Está de Olho. Entre o segundo e o terceiro livro, ainda existe um volume intermediário, O Casamento da Empregada, que não altera diretamente a cronologia principal, mas complementa a experiência para quem deseja mergulhar ainda mais nesse universo.
Em boa parte do filme, e em muitos dos acontecimentos que se desenvolvem ao longo da história, fica evidente um exagero de fanfics. Diversas situações soam forçadas, artificiais e pouco naturais dentro da lógica que o próprio filme tenta estabelecer. Esse excesso acaba abrindo buracos no roteiro, que podem ser atribuídos tanto a essas escolhas narrativas exageradas quanto às mudanças em relação ao livro.
Um exemplo claro é o personagem Enzo, que no filme surge de forma bastante esburacada, mal desenvolvida e com funções narrativas pouco claras. Para quem leu o livro, fica evidente que sua construção é diferente e mais coerente na obra original, o que torna a adaptação ainda mais problemática nesse aspecto.
Existem, sim, outras diferenças importantes em relação ao material original, sobretudo no desfecho. Nesse ponto, a mudança é até compreensível: tratando-se de um thriller de suspense, o cinema exige um final mais impactante, mais “animado”, capaz de prender o espectador até o último minuto. Além disso, é importante lembrar que o filme se baseia apenas no primeiro livro da trilogia, o que naturalmente limita e adapta certos caminhos da narrativa, principalmente da Millie.
Comparar diretamente o livro com o filme, dizendo que um é melhor ou pior, nem sempre é o caminho mais justo. Uma adaptação cinematográfica precisa, antes de tudo, se adequar à linguagem da mídia para a qual está sendo feita. Dito isso, A Empregada está longe de ser um desastre, apesar do evidente excesso de elementos que soam como fanfic.
O filme é extremamente dependente do seu plot central, o que torna difícil falar sobre ele sem revelar o grande acontecimento que move toda a narrativa. Ainda assim, não é preciso ser um especialista em suspense ou thriller psicológico para imaginar para onde a história caminha. Mesmo assim, isso não chega a comprometer a experiência de quem vai assistir.
Além das situações forçadas e do exagero narrativo, o longa se sustenta muito no apelo visual. Os protagonistas são claramente escolhidos dentro de um padrão de beleza muito chamativo, quase gritante, o que reforça esse aspecto mais fantasioso da obra. Ainda assim, o filme tenta ir além do entretenimento puro ao flertar com uma crítica social.
Existe ali uma leitura clara sobre o homem branco privilegiado, que tem tudo à sua disposição, mas também uma crítica direcionada à mulher que se apaixona por esse tipo de figura, enxergando nele uma espécie de atalho para uma vida melhor ou uma redenção rápida. A narrativa transita justamente pelas personalidades das duas protagonistas e do personagem masculino central, construindo essa dinâmica de poder, desejo e ilusão.
No campo do suspense, o filme entrega o que promete. Há uma presença constante de violência psicológica e, mais adiante, momentos de violência física, que não chegam a ser explícitos ou chocantes, mas flertam com situações que beiram a tortura. Isso faz com que a obra não seja indicada para uma classificação etária muito baixa, exigindo certo cuidado por parte do espectador.
O desfecho, bastante diferente do livro, deixa claro que se trata de um final pensado para o cinema: mais direto, mais impactante e moldado para agradar o público desse tipo de narrativa. As atuações são boas, competentes, mas não trazem nada especialmente memorável — o que também se deve ao próprio material, que mistura crítica com uma dose elevada de fantasia, já que os acontecimentos se encaixam de forma quase perfeita demais.
Ainda assim, o filme funciona. Com pouco mais de duas horas de duração, o tempo passa rápido, sem que o espectador perceba, e esse é um mérito importante. A Empregada é um suspense/thriller que abraça seus exageros, carrega seus elementos de fanfic, mas entrega uma história envolvente, divertida e capaz de manter a atenção do público do início ao fim, culminando em uma conclusão satisfatória dentro da proposta apresentada. No fim das contas, é um bom filme.
Sinopse:
Millie está em busca de uma segunda chance quando aceita trabalhar como empregada na casa luxuosa de Nina e Andrew. O que começa como um emprego promissor rapidamente se transforma em um jogo psicológico perturbador, marcado por comportamentos estranhos, segredos mal escondidos e relações cada vez mais instáveis. À medida que a convivência avança, Millie percebe que aquela casa guarda perigos muito mais profundos — e pessoais — do que aparenta. Direção: Paul Feig. Distribuição nos cinemas da Paris Filmes.
Nota: Bom: 3,5/5
A obra se encaixa no gênero suspense psicológico / thriller, trazendo como protagonista a atual queridinha de Hollywood, Sydney Sweeney, acompanhada por Amanda Seyfried e Brandon Sklenar, formando um triângulo dramático que sustenta boa parte da tensão da narrativa.
A história, em teoria, é bastante simples. Tudo se passa dentro de uma casa, onde Nina (Amanda Seyfried) contrata uma empregada (Sydney Sweeney) para trabalhar e morar onde ela vive com o marido, Andrew (Brandon Sklenar), e a filha.
A história, em teoria, é bastante simples. Tudo se passa dentro de uma casa, onde Nina (Amanda Seyfried) contrata uma empregada (Sydney Sweeney) para trabalhar e morar onde ela vive com o marido, Andrew (Brandon Sklenar), e a filha.
Millie (Sweeney) tem um passado obscuro, mas a trama se direciona mesmo ao segundo dia de trabalho da garota, onde acontecimentos estranhos começam a surgir, ligados ao comportamento de Nina.
Essas situações vão se acumulando em forma de intrigas, jogos psicológicos e relações que se transformam constantemente, conduzindo o espectador por um caminho de desconfiança crescente. Aos poucos, o filme constrói suas conspirações até chegar ao grande plot twist, elemento central que move toda a história e redefine o que foi visto até então.
Dentro desse contexto, a proposta é boa e, em muitos momentos, realmente interessante — ainda que existam alguns pontos problemáticos, que valem ser discutidos a seguir.
Essas situações vão se acumulando em forma de intrigas, jogos psicológicos e relações que se transformam constantemente, conduzindo o espectador por um caminho de desconfiança crescente. Aos poucos, o filme constrói suas conspirações até chegar ao grande plot twist, elemento central que move toda a história e redefine o que foi visto até então.
Dentro desse contexto, a proposta é boa e, em muitos momentos, realmente interessante — ainda que existam alguns pontos problemáticos, que valem ser discutidos a seguir.
Um exemplo claro é o personagem Enzo, que no filme surge de forma bastante esburacada, mal desenvolvida e com funções narrativas pouco claras. Para quem leu o livro, fica evidente que sua construção é diferente e mais coerente na obra original, o que torna a adaptação ainda mais problemática nesse aspecto.
Existem, sim, outras diferenças importantes em relação ao material original, sobretudo no desfecho. Nesse ponto, a mudança é até compreensível: tratando-se de um thriller de suspense, o cinema exige um final mais impactante, mais “animado”, capaz de prender o espectador até o último minuto. Além disso, é importante lembrar que o filme se baseia apenas no primeiro livro da trilogia, o que naturalmente limita e adapta certos caminhos da narrativa, principalmente da Millie.
Comparar diretamente o livro com o filme, dizendo que um é melhor ou pior, nem sempre é o caminho mais justo. Uma adaptação cinematográfica precisa, antes de tudo, se adequar à linguagem da mídia para a qual está sendo feita. Dito isso, A Empregada está longe de ser um desastre, apesar do evidente excesso de elementos que soam como fanfic.
O filme é extremamente dependente do seu plot central, o que torna difícil falar sobre ele sem revelar o grande acontecimento que move toda a narrativa. Ainda assim, não é preciso ser um especialista em suspense ou thriller psicológico para imaginar para onde a história caminha. Mesmo assim, isso não chega a comprometer a experiência de quem vai assistir.
Além das situações forçadas e do exagero narrativo, o longa se sustenta muito no apelo visual. Os protagonistas são claramente escolhidos dentro de um padrão de beleza muito chamativo, quase gritante, o que reforça esse aspecto mais fantasioso da obra. Ainda assim, o filme tenta ir além do entretenimento puro ao flertar com uma crítica social.
Existe ali uma leitura clara sobre o homem branco privilegiado, que tem tudo à sua disposição, mas também uma crítica direcionada à mulher que se apaixona por esse tipo de figura, enxergando nele uma espécie de atalho para uma vida melhor ou uma redenção rápida. A narrativa transita justamente pelas personalidades das duas protagonistas e do personagem masculino central, construindo essa dinâmica de poder, desejo e ilusão.
No campo do suspense, o filme entrega o que promete. Há uma presença constante de violência psicológica e, mais adiante, momentos de violência física, que não chegam a ser explícitos ou chocantes, mas flertam com situações que beiram a tortura. Isso faz com que a obra não seja indicada para uma classificação etária muito baixa, exigindo certo cuidado por parte do espectador.
O desfecho, bastante diferente do livro, deixa claro que se trata de um final pensado para o cinema: mais direto, mais impactante e moldado para agradar o público desse tipo de narrativa. As atuações são boas, competentes, mas não trazem nada especialmente memorável — o que também se deve ao próprio material, que mistura crítica com uma dose elevada de fantasia, já que os acontecimentos se encaixam de forma quase perfeita demais.
Ainda assim, o filme funciona. Com pouco mais de duas horas de duração, o tempo passa rápido, sem que o espectador perceba, e esse é um mérito importante. A Empregada é um suspense/thriller que abraça seus exageros, carrega seus elementos de fanfic, mas entrega uma história envolvente, divertida e capaz de manter a atenção do público do início ao fim, culminando em uma conclusão satisfatória dentro da proposta apresentada. No fim das contas, é um bom filme.
Um segundo longa, agora baseado no livro "O Segredo da Empregada" foi confirmado pela produtora Lionsgate, com a volta da Sydney Sweeney como a protagonista.
Millie está em busca de uma segunda chance quando aceita trabalhar como empregada na casa luxuosa de Nina e Andrew. O que começa como um emprego promissor rapidamente se transforma em um jogo psicológico perturbador, marcado por comportamentos estranhos, segredos mal escondidos e relações cada vez mais instáveis. À medida que a convivência avança, Millie percebe que aquela casa guarda perigos muito mais profundos — e pessoais — do que aparenta. Direção: Paul Feig. Distribuição nos cinemas da Paris Filmes.
Nota: Bom: 3,5/5
Imagens para divulgação fornecidas por assessorias ou retiradas da internet aberta dada os devidos créditos
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Dúvidas, sugestões, parcerias e indicações: contato.parsageeks@gmail.com





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