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domingo, 15 de setembro de 2019

Crítica Cinema | Branca como a Neve

(Tentando transformar um conto antigo para os dias atuais)


Sinopse: Claire (Lou de Laâge) é uma bela jovem que trabalha no hotel de seu falecido pai. O local agora é administrado por sua madrasta má, Maud (Isabelle Huppert). Claire inconscientemente desperta ciúme incontrolável em Maud, cujo jovem amante se apaixonou pela bela enteada. A madrasta decide então se livrar de Claire, que consegue fugir e com a ajuda de um homem misterioso. Ele a leva para a sua fazenda dele, em uma pequena aldeia, onde ela causa bastante agitação: um, dois, e logo sete "príncipes" acabam cativados pelo seu charme. Para Claire, este é o começo de uma emancipação radical, tanto romântica quanto carnal. Elenco ainda conta com Vincent Macaigne, Jonathan Cohen, Charles Berling, Damien Bonnard, entre outros. Direção de Anne Fontaine (Marvin). Filme estreia no próximo dia 19 de setembro com distribuição nacional da A2 Filmes.

Branca como a Neve (Blanche comme Neige)


O nome do filme não é coincidência com a fábula que ficou mais conhecida pela animação Disney, mas que veio de uma compilação dos Irmãos Grimm entre 1817 e 1822, original de contos de fadas alemã. Aqui temos uma versão mais libertadora, metafórica e atual na jornada de Claire se redescobrindo como mulher, realizando seus desejos e anseios que lhe trazem felicidade outrora não imaginada, tirando a garota do lugar comum para uma vida mais leve. Pelo menos essa é a premissa, a execução apesar de evidente, ela tem alguns percalços, muito devido a fraca atuação da protagonista e algumas situações que não funcionam como deveriam, já que está adaptando-se para os dias atuais.


A trama é dividida em três atos... Primeiro a jornada de Claire onde se toma a maior parte do tempo, nela temos uma garota que expira sensualidade e acaba deixando os homens de um pequeno vilarejo francês excitados e encantados. Claro que a analogia aos setes anões está presente, são personagens com características parecidas com dos personagens do conto, mas com ambições próprias e a maioria deles com desejos pela protagonista. A narrativa é bem simples e exagerada, pois Claire não convence em nenhum momento uma pureza anterior antes de parar naquele lugar, a forma que vai conduzindo seus relacionamentos sexuais em prol de uma libertação como mulher segue de forma exagerada, isso acaba deixando meio artificial as coisas. No segundo ato temos Mad (Huppert) tomada pela inveja de não ser mais nova e desejada, nem pelo seu amante, que na verdade ela não queria, essa parte é bem confusa, personagem tem mais presença pela atriz, do que serventia na história. Chegando ao fim com o encontro das duas e uma sequência de cenas bem bobinhas e algumas cômicas (A morte de um esquilo mais tosca, que de tão tosca ficou hilário) e tudo segue de uma forma sem grandes impactos, até uma conclusão bem morna, sem grandes adições a uma empolgação maior ou desaprovação muito evidente.


Visualmente é tudo muito bonitinho, seja a montagem na direção de arte, ambientação e fotografia, com detalhes sonoros e algumas cenas com nevoeiros bem encaixados. A condução narrativa não tem muitos furos de edição que possa questionar, pois temos duas histórias acontecendo em dois pontos da mesma trama, isso facilita tudo ao final do segundo ato, deixando tudo encaixado. Tecnicamente entrega, tirando uma ceninha ou outra que precisou de um efeito, ai ficou cômico. No elenco temos a Lou de Laâge que é uma ou outra... Ou ela não entendeu o personagem ou não é boa atriz, exagerou no estilo garota sensual desde o começo, acaba não entregando a grande libertação que fica evidente na proposta do roteiro. Isabelle Huppert não tem um personagem bem explorado, aliás, nem muito útil pelo que a história pedia, mas a força de presença da atriz é grande, então você consegue prestar atenção para entender pelo menos um pouco o que sua Maud sente em relação à Claire. O restante do elenco, destaque para Vincent Macaigne, dele vem o humor e um desenvolvimento melhor das outras referências dos anões, no caso ele é um dos mais encaixados a uma versão atual do Atchim, de forma natural. A condução diretiva de Anne Fontaine consegue deixar clara a proposta, mas executa de forma bem afobada e deveria ter cuidado melhor na forma de relacionamento da protagonista com o restante dos personagens. Branca como a Neve tem boas intenções ao adequar-se aos dias atuais a história da mulher em comparativos aos contos antigos, mas a execução não é boa, muito devido a sua protagonista e se não fosse um visual belo, somado a uma Huppert com boa presença de tela natural, seria muito abaixo da média, só que com esses prós, entrega um longa assistível.

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