terça-feira, 14 de julho de 2026

Crítica | Supergirl: Uma protagonista interessante em um filme que perde muita força no caminho

(Nova aposta do DCU apresenta boas ideias na primeira metade, mas tropeça em uma adaptação distante dos quadrinhos e em um elenco de apoio que pouco acrescenta) 


Depois de um bobo Superman e da segunda e flopada temporada de Pacificador, Supergirl chega como nova aposta de James Gunn (Aqui ele é apenas o produtor) para consolidar o novo Universo DC nos cinemas. Na minha visão, porém, o resultado mostra que o estúdio ainda não encontrou uma identidade consistente para esse novo DCU.

Enquanto Superman apresentou um herói extremamente otimista, alegre e, em diversos momentos, até ingênuo, o que em soma deu resultado fraco, Supergirl segue por um caminho completamente diferente. A protagonista (Milly Alcock) é mais jovem., impulsiva e rebelde. É uma garota que bebe, gosta de viver sem grandes responsabilidades e carrega traumas profundos causados pela destruição de Krypton e pelos acontecimentos que vieram depois, revelados ao longo da trama.

Essa proposta funciona surpreendentemente bem durante boa parte da primeira metade do filme. Desde que o espectador aceite que esta não é uma adaptação fiel da HQ Supergirl: A Mulher do Amanhã, mas apenas uma produção inspirada em sua premissa e em um de seus principais acontecimentos.

A motivação da personagem também é simples e eficiente. Após o vilão (Krem, interpretado pelo Matthias Schoenaerts) machucar seu cachorro (Krypton), ela parte em busca de vingança e de uma forma de salvá-lo que acontece junto a jornada de vingança de uma adolescente (Ruthye). Esse objetivo conduz a narrativa inicial de maneira satisfatória e apresenta uma Supergirl completamente diferente daquela que o público está acostumado a ver.


Quando os coadjuvantes assumem a história, o filme desaba

O maior problema surge na segunda metade. Quando a protagonista deixa de carregar sozinha a narrativa e o roteiro passa a depender dos personagens secundários, o filme perde praticamente toda a força construída até então.

O Lobo, vivido por Jason Momoa, é a maior decepção. Sua entrada acontece de forma aleatória e sem impacto. A caracterização também não convence: em diversos momentos, o visual parece artificial, dando a impressão de que o personagem foi coberto por espuma ou maquiagem excessiva.

Além disso, o próprio conceito do personagem parece incompatível com a proposta do longa. O Lobo sempre funcionou melhor em histórias voltadas para o público adulto, com violência, humor ácido e irreverência. Assim como Deadpool, é um personagem que, na minha opinião, deveria existir em produções para maiores de 18 anos. Dentro da classificação indicativa de Supergirl, ele perde praticamente toda sua essência.

A jovem personagem Ruthye (Eve Ridley) que acompanha parte da jornada também decepciona, atriz sem expressão, fraca. Nos quadrinhos, ela possui enorme importância para o desenvolvimento da protagonista. No filme, porém, sua participação tem pouco peso dramático, mas não pela importância na trama, e sim, porque não consegue gerar o impacto esperado em suas atuação e expressões.

O vilão Krem segue pelo mesmo caminho. Falta presença, desenvolvimento e qualquer sensação de ameaça real, tornando-se apenas mais um antagonista esquecível.

Como consequência, toda a segunda metade do filme se torna irregular. Enquanto a Supergirl permanece limitada durante parte da história, nenhum dos personagens secundários consegue sustentar a narrativa.


Um final competente salva parcialmente a experiência Apesar dos problemas, o desfecho consegue recuperar parte do interesse. O final estabelece um paralelo interessante com Homem de Aço (2013), de Zack Snyder. Embora as situações sejam diferentes, a decisão tomada pela Supergirl faz muito mais sentido dentro da personalidade construída para ela ao longo do filme do que a famosa escolha feita pelo Superman naquele longa. A protagonista entrega exatamente o que o roteiro exige. A Milly Alcock convence na proposta dessa versão da personagem e demonstra bastante carisma. Sua passagem pelo Brasil durante a divulgação do filme também ajudou a conquistar parte do público, algo que a Warner explorou muito bem em sua campanha de marketing. O restante do elenco não mencionados até aqui... esquece, e até mesmo a rápida aparição do Superman (David Corenswet) apenas reforça as características que, para mim, já eram um dos pontos mais fracos do filme lançado anteriormente.

Conclusão

Supergirl é um filme dividido em três momentos muito claros: uma primeira metade competente e interessante, uma segunda metade bastante fraca e um final que consegue recuperar parte da qualidade da produção.

Os efeitos são bons, o Krypton não soa tão natural, percebe-se o exagero de cgi e o diretor Craig Gillespie não consegue conduzir bem uma produção que não era dificil de adaptar, pois o material original de Tom King é acabando nos quadrinhos.

No fim, o resultado está longe de ser o desastre absoluto apontado por parte da crítica, mas também passa longe do excelente filme defendido pelos fãs mais apaixonados da DC.

É uma produção regular, esquecível na maior parte do tempo, com poucos momentos realmente marcantes além do desfecho.

Se a intenção era mostrar que o novo DCU começaria mais forte do que o antigo universo da DC, pelo menos até aqui, a impressão é justamente a contrária.


Sinopse:
Quando um adversário tão inesperado quanto implacável parece muito próximo de ganhar a batalha, Kara Zor-El, também conhecida como Supergirl, não sem muita relutância, faz uma parceria improvável em uma épica jornada interestelar de vingança e justiça. Direção: Craig Gillespie. Distribuição nos cinemas da Warner Bros. Pictures Brasil.

Nota: Bom: 2,5/5

Imagens para divulgação fornecidas por assessorias ou retiradas da internet aberta dada os devidos créditos
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