(Um terror raso que vive de mortes brutais e ideias recicladas)
By: Alan David
O Primata se encaixa perfeitamente no terror slasher característico da filmografia de Johannes Roberts, diretor que parece já ter encontrado uma fórmula bem definida — e pouco exigente — para seus filmes. O mesmo cineasta de Medo Profundo 1 e 2, Os Estranhos: A Caçada Noturna e o desastroso Resident Evil: Bem-vindo a Rancor City (2021). Seu padrão é claro: existe “algo” — seja bicho, gente ou zumbi — que persegue personagens um a um, eliminando todos pelo caminho. Não se exige muito de roteiro, lógica ou desenvolvimento. Dentro desse contexto, O Primata é exatamente a cara do diretor.
Narrativamente, o filme se repete do início ao fim. Existe uma tentativa mínima de arco com Lucy, que corre, perde pessoas ao redor e tenta proteger a irmã mais nova, machucada logo no começo da confusão. Ainda assim, isso nunca evolui para algo realmente dramático. Não há construção de tensão nem desenvolvimento emocional — apenas a repetição mecânica de perseguições e mortes. Em determinado ponto, inclusive, o filme introduz novos personagens sem qualquer contexto aceitável à aquela altura do campeonato, como se o elenco inicial já tivesse sido eliminado rápido demais e fosse preciso repor o estoque de vítimas.
No fim das contas, o longa entrega apenas trash, gore e uma falta de criatividade já habitual nesse tipo de produção — especialmente na carreira desse diretor. Para quem busca minimamente um roteiro funcional, mesmo simples, o filme não funciona. Ele é fraco, raso e repetitivo.
Por outro lado, para quem consome terror descartável, com mortes brutais, sangue em abundância e zero necessidade de pensar, o longa pode até funcionar. Visualmente, ele é agressivo, insistente na violência e totalmente focado na destruição. Não há apelo dramático, não há emoção além da morte pela morte, e nem mesmo o fato de ser inspirado em um caso real é construído para criar impacto narrativo.
O Primata é um filme totalmente esvaziado de ideias, que pega o básico e o clichê do slasher e joga na tela com gritaria, sangue, personagens agindo de forma estúpida e um chimpanzé doido perseguindo e matando um por um. O resultado é um filme regular no melhor dos cenários, que pode agradar um nicho específico, mas que no geral deixa muito a desejar e está longe de ser algo realmente bom.
Sinopse:
A universitária Lucy vai passar férias em casa com a família e aproveita a ausência do pai para organizar uma festa na piscina. Durante o evento, seu chimpanzé de estimação surge irreconhecível e agressivo, contaminado com raiva, forçando o grupo a buscar algum jeito de escapar da fúria do animal. Direção: Johannes Roberts. Distribuição nos cinemas pela Paramount Pictures.
Nota: Regular: 2,5/5
A premissa não poderia ser mais simples. Lucy, interpretada por Johnny Sequoyah, está passando as férias da faculdade com amigos na casa do pai e irmã dela no Hawaí. A família possui um chimpanzé de estimação, Ben, herdado da mãe. Em determinado momento: Lucy, irmã e amigos passam a correr risco de vida, pois o animal tinha sido mordido por um mangusto no inicio do filme, contrai raiva e simplesmente enlouquece. A partir daí, o filme não se preocupa em explicar absolutamente mais nada: o chimpanzé passa a sair matando todo mundo sem dó nem piedade, exibindo uma força descomunal e um inteligência de caça e tortura sádica.
O longa se inspira levemente em um caso real nos EUA, o do chimpanzé Travis, que em 2009, após anos vivendo com uma família, teve um surto violento e atacou Charla Nash, amiga (Sandra) da dona do animal. O ataque foi brutal, resultando em desfiguração severa, amputações e inúmeras cirurgias reconstrutivas. O animal acabou sendo abatido pela polícia após continuar atacando quando os agentes chegaram, episódio que gerou grande repercussão e debates sobre a posse de animais silvestres de grande porte. O filme até faz uma referência direta ao caso, como o uso de umas chaves que Nash usou para atrair Travis de nao atacar sua dona, mas não demonstra qualquer interesse em aprofundar ou refletir sobre o ocorrido.
O que sobra em O Primata é um manual completo de clichês do terror. Quando o silêncio é essencial, os personagens fazem barulho: pisam onde range, gritam, ligam a televisão ou outro objeto barulhento, atraem o chimpanzé mesmo depois de conseguirem despistá-lo. É o velho padrão do gênero em que todos parecem perder qualquer capacidade de raciocínio assim que a perseguição começa. Fora que são todos estereotipados: jovens, bonitos e parecidos, ninguem que valha a pena se importa, até porque estão quase todos estão destinados a morrer para fazer o "roteiro" andar.
O longa se inspira levemente em um caso real nos EUA, o do chimpanzé Travis, que em 2009, após anos vivendo com uma família, teve um surto violento e atacou Charla Nash, amiga (Sandra) da dona do animal. O ataque foi brutal, resultando em desfiguração severa, amputações e inúmeras cirurgias reconstrutivas. O animal acabou sendo abatido pela polícia após continuar atacando quando os agentes chegaram, episódio que gerou grande repercussão e debates sobre a posse de animais silvestres de grande porte. O filme até faz uma referência direta ao caso, como o uso de umas chaves que Nash usou para atrair Travis de nao atacar sua dona, mas não demonstra qualquer interesse em aprofundar ou refletir sobre o ocorrido.
O que sobra em O Primata é um manual completo de clichês do terror. Quando o silêncio é essencial, os personagens fazem barulho: pisam onde range, gritam, ligam a televisão ou outro objeto barulhento, atraem o chimpanzé mesmo depois de conseguirem despistá-lo. É o velho padrão do gênero em que todos parecem perder qualquer capacidade de raciocínio assim que a perseguição começa. Fora que são todos estereotipados: jovens, bonitos e parecidos, ninguem que valha a pena se importa, até porque estão quase todos estão destinados a morrer para fazer o "roteiro" andar.
As mortes seguem a lógica do gore crescente. Começam mais contidas, mas vão se tornando cada vez mais gráficas e exageradas. O filme deixa claro que o chimpanzé está completamente dominado pela raiva: não há hesitação, conflito ou variação de comportamento. Ele está totalmente contaminado, totalmente doente, e isso serve como justificativa absoluta para a carnificina contínua. Nem explicam nada porque o mangusto pegou raiva, sendo que no próprio filme fala que no Hawaí não tem cada de raiva, devido a um controle rigoroso de animais. Só segue o baile, sem nada a aprofundar.
No fim das contas, o longa entrega apenas trash, gore e uma falta de criatividade já habitual nesse tipo de produção — especialmente na carreira desse diretor. Para quem busca minimamente um roteiro funcional, mesmo simples, o filme não funciona. Ele é fraco, raso e repetitivo.
Por outro lado, para quem consome terror descartável, com mortes brutais, sangue em abundância e zero necessidade de pensar, o longa pode até funcionar. Visualmente, ele é agressivo, insistente na violência e totalmente focado na destruição. Não há apelo dramático, não há emoção além da morte pela morte, e nem mesmo o fato de ser inspirado em um caso real é construído para criar impacto narrativo.
O Primata é um filme totalmente esvaziado de ideias, que pega o básico e o clichê do slasher e joga na tela com gritaria, sangue, personagens agindo de forma estúpida e um chimpanzé doido perseguindo e matando um por um. O resultado é um filme regular no melhor dos cenários, que pode agradar um nicho específico, mas que no geral deixa muito a desejar e está longe de ser algo realmente bom.
A universitária Lucy vai passar férias em casa com a família e aproveita a ausência do pai para organizar uma festa na piscina. Durante o evento, seu chimpanzé de estimação surge irreconhecível e agressivo, contaminado com raiva, forçando o grupo a buscar algum jeito de escapar da fúria do animal. Direção: Johannes Roberts. Distribuição nos cinemas pela Paramount Pictures.
Nota: Regular: 2,5/5
Imagens para divulgação fornecidas por assessorias ou retiradas da internet aberta dada os devidos créditos
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