(Inspirado na história de um tenista de mesa, o filme troca a competição pelo caos, o humor e uma atuação magnética que carrega duas horas e meia de exagero e carisma)
By: Alan David
Marty Supreme não é exatamente uma cinebiografia tradicional. O filme é inspirado na história do tenista de mesa americano, Marty Mauser, interpretado de forma brilhante por Timothée Chalamet. A narrativa acompanha sua trajetória como atleta — alguém talentoso, consistente, mas longe de ser excepcional. Um jogador “bom”, nada além disso.
Nesse ponto, o filme assume um tom claramente humorístico. É um filme fácil de gostar, simpático, carismático — muito por conta do Timothée, que sustenta tudo com enorme presença de tela.
No elenco, temos também Gwyneth Paltrow, interpretando uma personagem que não existiu na vida real de Marty Mauser, mas que dentro da narrativa é relevante para compreender quem ele é. O filme trabalha com várias licenças dramáticas, conjecturas e exageros, sempre com o mesmo objetivo: revelar o homem Marti, não o atleta.
Há cenas estranhas e memoráveis — como a da banheira, que é genuinamente engraçada, e todo o arco envolvendo um cachorro, que rende momentos curiosos, mas talvez dispensáveis. Em vários momentos, o espectador chega a se perguntar: cadê o jogo de tênis? O filme é quase inteiro Marty fugindo de alguém, enganando alguém, se metendo em confusão, errando quando parecia que ia acertar, até chegar ao ponto em que ele precisa, finalmente, engolir o próprio orgulho para buscar algo maior: sua ida ao Japão, sua “revanche”. Existe também o lance paternal dele com Rachel (Odessa A'zion) que em parte da história vira um Bonnie & Clyde atrapalhados.
Mesmo lá, o filme reforça a ideia central: existe uma distância enorme entre como Marti se enxerga e como o mundo o vê. Essa diferença entre o esportista e o showman é o verdadeiro tema do filme.
Tecnicamente, o longa é bem dirigido, bem filmado e competente. No entanto, é um filme longo — cerca de duas horas e meia — e um pouco repetitivo em sua estrutura. Algumas tramas paralelas, como a do cachorro, poderiam ser encurtadas ou removidas sem prejuízo, o que deixaria o filme mais enxuto e eficaz. Com vinte minutos a menos, esse miolo poderia funcionar muito melhor.
Dirigido por Josh Safdie — o mesmo de Joias Brutas e Bom Comportamento —, o filme segue o mesmo estilo caótico, intenso e centrado em personagens autodestrutivos. E, como em muitos filmes desse tipo, aqui temos um caso clássico: o filme é bom, mas a atuação do protagonista é assombrosa. O que leva todos os outros personagens a serem desinteressantes ou descartáveis.
Timothée Chalamet carrega absolutamente tudo. O humor, o ritmo, a energia e até as falhas do roteiro passam por ele. Nada funciona no longa sem sua presença. É, essencialmente, um filme de um ator só, inserido num contexto louco e enganoso — assim como a própria personalidade do personagem. No fim, Marty Supreme não é o que parece ser. É um bom filme, irregular em alguns momentos, mas com um ator acima da média e todas os outros esqueciveis. Atuação de Timothée Chalamet é daquelas que claramente chamam atenção da temporada de prêmios.
Sinopse:
Marty Mauser, um jovem com uma ambição desmedida, está pronto para tudo para realizar seu sonho e provar ao mundo inteiro que nada é impossível para ele. Direção: Josh Safdie. Distribuição nos cinemas pela Diamond Films.
Nota: Bom: 3/5
Mauser teve uma carreira longa, atravessando décadas — dos anos 39 até 92 — passando pela juventude e por diferentes fases pessoais e profissionais. Conquistou alguns títulos, sim, mas o filme não se interessa tanto por estatísticas ou glórias esportivas. O verdadeiro foco está em quem Marty é, não no que ele venceu.
O longa se concentra sobretudo em seu comportamento: um sujeito boa-vida, trambiqueiro, cheio de lábia, sempre tentando se virar com conversa e carisma. É justamente aí que o filme encontra sua força — e onde Timothée Chalamet entrega uma grande atuação, sustentando o personagem mais pelo gesto, pelo olhar e pela ambiguidade moral do que por grandes discursos.
Para quem espera um filme sobre um esportista, em Marty Supreme provavelmente vai quebrar um pouco a cara do espectador. Sim, no início o filme até apresenta o esporte, mostra Marty jogando, sua técnica e, principalmente, sua postura em quadra. Ele nunca foi um gênio do tênis de mesa, mas era um bom jogador — e, acima de tudo, um showman. Fazia valer cada partida, fosse pelo talento ou pelo comportamento espalhafatoso.
A partir do momento em que surge a ambição de ir para o Japão, o filme muda completamente de eixo. A próxima partida relevante, de fato, só acontece no final. Cerca de 80% do longa acompanha Marty tentando realizar essa viagem — e falhando repetidamente. É uma sucessão de erros, decisões ruins e atitudes egoístas que prejudicam todas as pessoas ao seu redor. Sempre que parece que ele vai conseguir, algo dá errado. E, quando finalmente acerta alguma coisa, logo em seguida estraga tudo de novo.
O longa se concentra sobretudo em seu comportamento: um sujeito boa-vida, trambiqueiro, cheio de lábia, sempre tentando se virar com conversa e carisma. É justamente aí que o filme encontra sua força — e onde Timothée Chalamet entrega uma grande atuação, sustentando o personagem mais pelo gesto, pelo olhar e pela ambiguidade moral do que por grandes discursos.
Para quem espera um filme sobre um esportista, em Marty Supreme provavelmente vai quebrar um pouco a cara do espectador. Sim, no início o filme até apresenta o esporte, mostra Marty jogando, sua técnica e, principalmente, sua postura em quadra. Ele nunca foi um gênio do tênis de mesa, mas era um bom jogador — e, acima de tudo, um showman. Fazia valer cada partida, fosse pelo talento ou pelo comportamento espalhafatoso.
A partir do momento em que surge a ambição de ir para o Japão, o filme muda completamente de eixo. A próxima partida relevante, de fato, só acontece no final. Cerca de 80% do longa acompanha Marty tentando realizar essa viagem — e falhando repetidamente. É uma sucessão de erros, decisões ruins e atitudes egoístas que prejudicam todas as pessoas ao seu redor. Sempre que parece que ele vai conseguir, algo dá errado. E, quando finalmente acerta alguma coisa, logo em seguida estraga tudo de novo.
Nesse ponto, o filme assume um tom claramente humorístico. É um filme fácil de gostar, simpático, carismático — muito por conta do Timothée, que sustenta tudo com enorme presença de tela.
No elenco, temos também Gwyneth Paltrow, interpretando uma personagem que não existiu na vida real de Marty Mauser, mas que dentro da narrativa é relevante para compreender quem ele é. O filme trabalha com várias licenças dramáticas, conjecturas e exageros, sempre com o mesmo objetivo: revelar o homem Marti, não o atleta.
Mesmo lá, o filme reforça a ideia central: existe uma distância enorme entre como Marti se enxerga e como o mundo o vê. Essa diferença entre o esportista e o showman é o verdadeiro tema do filme.
Tecnicamente, o longa é bem dirigido, bem filmado e competente. No entanto, é um filme longo — cerca de duas horas e meia — e um pouco repetitivo em sua estrutura. Algumas tramas paralelas, como a do cachorro, poderiam ser encurtadas ou removidas sem prejuízo, o que deixaria o filme mais enxuto e eficaz. Com vinte minutos a menos, esse miolo poderia funcionar muito melhor.
Dirigido por Josh Safdie — o mesmo de Joias Brutas e Bom Comportamento —, o filme segue o mesmo estilo caótico, intenso e centrado em personagens autodestrutivos. E, como em muitos filmes desse tipo, aqui temos um caso clássico: o filme é bom, mas a atuação do protagonista é assombrosa. O que leva todos os outros personagens a serem desinteressantes ou descartáveis.
Timothée Chalamet carrega absolutamente tudo. O humor, o ritmo, a energia e até as falhas do roteiro passam por ele. Nada funciona no longa sem sua presença. É, essencialmente, um filme de um ator só, inserido num contexto louco e enganoso — assim como a própria personalidade do personagem. No fim, Marty Supreme não é o que parece ser. É um bom filme, irregular em alguns momentos, mas com um ator acima da média e todas os outros esqueciveis. Atuação de Timothée Chalamet é daquelas que claramente chamam atenção da temporada de prêmios.
Marty Mauser, um jovem com uma ambição desmedida, está pronto para tudo para realizar seu sonho e provar ao mundo inteiro que nada é impossível para ele. Direção: Josh Safdie. Distribuição nos cinemas pela Diamond Films.
Nota: Bom: 3/5
Imagens para divulgação fornecidas por assessorias ou retiradas da internet aberta dada os devidos créditos
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Dúvidas, sugestões, parcerias e indicações: contato.parsageeks@gmail.com





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