sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Agentes Muito Especiais – Crítica | Humor Repetitivo e Uma Ideia Desperdiçada

(Com humor datado, roteiro mal elaborado e piadas insistentes, o filme se apoia em caricaturas e já é forte candidato a pior filme nacional do ano) 


Agentes Muito Especiais nasceu a partir de uma ideia de Paulo Gustavo, um dos maiores comediantes do Brasil, que faleceu durante a pandemia. Com o tempo, esse conceito foi sendo amadurecido até chegar ao formato final do filme, que se encaixa perfeitamente naquele modelo de comédia nacional Zorra Total/Multishow, já bastante conhecido e também muito criticado pelo público de cinema.

Trata-se daquele tipo de comédia que aposta em um humor escrachado, fácil e repetitivo, muito associado à TV aberta, e que dificilmente funciona para quem já não acompanha ou não se identifica mais com esse formato. É um humor que soa datado e que não dialoga com grande parte do público atual.

A direção é de Pedro Antonio, nome já experiente nesse tipo de produção, principalmente em comédias estreladas por atores ligados ao Grupo Globo, especialmente ao Multishow. No currículo, estão filmes como Tô Ryca, Sintonia do Amor, Uma Pitada de Sorte, entre outros. Não por acaso, todos seguem praticamente a mesma fórmula, com os mesmos tipos de personagens, piadas e estrutura narrativa. Agentes Muito Especiais surge exatamente como mais um produto desse mesmo universo.

A história acompanha Jeff (Marcus Majella), um policial, e Johnny (Pedroca Monteiro), um segurança de parque. Ambos são gays, e isso se torna o eixo central do filme. No caso de Johnny, é Jeff quem o instiga a assumir mais o homossexualismo ao longo da narrativa. Por motivos diferentes, os dois decidem tentar ingressar em uma equipe especial da polícia. Eles acabam se destacando durante a seletiva e são escolhidos para uma missão de infiltração com o objetivo de desmascarar uma quadrilha chamada Onça, além de descobrir quem é a misteriosa “Onça”.

Essa investigação os leva para dentro de um presídio, onde passam a conviver com outros personagens e onde a trama avança até a execução do plano final. Do ponto de vista estrutural, o filme até apresenta uma narrativa básica funcional: começo, meio e fim, com atos relativamente claros a serem resolvidos. Existe até o desenvolvimento de um relacionamento envolvendo um dos personagens, mas tudo isso é tratado de maneira superficial, quase jogado por cima.

Isso acontece porque o filme opta por apostar quase exclusivamente no humor físico, em músicas constantes, caretas, poses exageradas, o gay clichê de comédia e piadinhas rápidas e insessantes sobre o assunto. O fato de os protagonistas serem gays não é apenas uma característica dos personagens, mas praticamente a única fonte de humor do longa. A sensação é de que, a cada quatro palavras, cinco são piadas sobre isso. O filme inteiro gira em torno desse mesmo recurso, sem variação, mesmo não melhorando o humor em tela.

Em nenhum momento a narrativa consegue estabelecer algo minimamente equilibrado. O tom é de palhaçada por palhaçada do início ao fim, presente de forma ininterrupta durante toda a projeção. Em uma hora e meia de duração, é impressionante que o filme não consiguiu me arrancar sequer meia risada.

Fica evidente que o roteiro parece ter sido pensado originalmente para Paulo Gustavo ser o Jeff. Marcus Majella funciona bem como “escada”, no caso, o Johnny, mas não como protagonista principal. Olhando para a ideia do filme, Paulo Gustavo seria perfeito nesse papel central, porque mesmo em filmes medianos ou ruins, como os Vai Que Cola da vida, ele conseguia se destacar graças ao seu brilho próprio, domínio de tempo cômico e à forma como quebrava a quarta parede. Talvez, se Majella tivesse tentado algo parecido, o resultado pudesse ter sido menos desastroso.


O filme tenta emular algo próximo de a Gaiola das Loucas no humor de opção sexual, mas falha vergonhosamente, com falas jogadas ao vento, cenas vazias, exageros visuais e uma crença equivocada de que isso, por si só, vai gerar humor sem uma construção minima em cena. Não gera. Os diálogos não têm qualidade, as situações são repetitivas, o que impede qualquer envolvimento do espectador. E as cenas de ação,  mal executadas.

O único momento em que o longa realmente chama a atenção é com a entrada de vez de Dira Paes na trama. Quando ela aparece, há uma mudança clara de ambiente e de clima. O filme desacelera, o foco melhora e, por um breve instante, parece que algo diferente pode surgir. No entanto, rapidamente tudo retorna ao mesmo padrão de pataquada, piadas repetidas, humor de gracinhas sem criatividade.

Impressiona a falta de cuidado em tentar elaborar o roteiro de uma maneira minimamente diferente do que já foi feito tantas vezes dentro desse mesmo nicho de comédia nacional meio televisiva.

Ainda que seja uma produção claramente pensada para um consumo rápido — poucas semanas em cartaz antes de ir para o streaming —, isso não justificaria tamanha falta de capricho. O filme já se destaca facilmente como um dos piores do ano. São uma hora e meia de bobeira constante, apertando a mesma tecla para tentar gerar humor do início ao fim.

Os protagonistas não têm química, não se entendem em cena e fica evidente que estavam nos papéis errados: um não deveria estar ali e o outro deveria ser apenas o escada. No fim das contas, Agentes Muito Especiais é um filme fraco e com um roteiro mal elaborado. Se algo se salva, é a presença de Dira Paes, ela entrega uma vilã que mesmo sendo ok, ainda assim acaba sendo o melhor que o filme oferece.


Sinopse:
Os agentes Jeff e Johnny começam a trabalhar juntos trocando farpas e aos poucos consolidam uma parceria profissional e pessoal. Encarando percalços, perigos e aventuras, os dois se infiltram numa penitenciária para desbaratar uma poderosa quadrilha chefiada pela misteriosa Onça. Direção: Pedro Antônio. Distribuição nos cinemas pela Downtown Filmes.

Nota: Ruim: 1/5

Imagens para divulgação fornecidas por assessorias ou retiradas da internet aberta dada os devidos créditos
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 Dúvidas, sugestões, parcerias e indicações: contato.parsageeks@gmail.com

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