sábado, 5 de novembro de 2022

Crítica Cinema | A Conferência

(A história de um encontro que resultou em uma tragédia humana) 


Em 20 de janeiro de 1942, representantes de alto escalão do regime nazista alemão se reuniram em uma idílica vila no Great Wannsee, no sudoeste de Berlim, para uma reunião que ficou para a história como a Conferência de Wannsee, por causa de seu alcance, fatalidade e consequências, talvez a conferência mais terrível da história humana. Estão presentes 15 líderes da SS, do NSDAP e da burocracia ministerial. Eles foram convidados por Reinhard Heydrich (Philipp Hochmair), chefe da polícia de segurança e do SD, para uma "reunião seguida de café da manhã". O tópico exclusivo da discussão de aproximadamente 90 minutos é o que os nacional-socialistas chamaram de "Solução Final para a Questão Judaica", que significa a organização burocraticamente planejada do assassinato em massa sistemático de milhões de judeus de toda a Europa. Elenco ainda conta com Johannes Allmayer, Maximilian Brückner, Matthias Bundschuh, Fabian Busch, Jakob Diehl, Lilli Fichtner, Godehard Giese, entre outros. Direção de Matti Geschonneck. Produção alemã, com distribuição nacional da A2 Filmes. Estreia nos cinemas brasileiros em 03 de novembro de 2022. Para o trailer, clique aqui.

A Conferência (Die Wannseekonferenz)


Todo filme que se ocupe de assuntos acontecidos na história tem eventualmente virtudes e defeitos. Porém, com certeza, algumas limitações: a primeira, ter escolhido uma determinada perspectiva ou posição prévia para encarar esses sucessos. Depois, em decorrência, ter uma delimitação do que vai ser narrado ou mostrado etc. Como ficou evidenciado por Dziga Vertov, aquele teórico e realizador russo em 1929 com O homem da câmera, não há possibilidades materiais de reproduzir exatamente o que acontece na “vida real”. Não é possível ter ligada uma câmera 24 horas ao dia e depois exibir sem editar nada. Porque o filme resultante teria uma duração descomunal. Mais complicado ainda quando se trata de um fato relevante da sociedade. Essa variedade de elementos que intervêm é difícil ser processada, ainda por realizadores que procurem máxima objetividade. Dito isso também deve ser considerado que o nazismo foi motivo de tratamento por inúmeros filmes. Alemães e de outras origens e sobre os mais variados fatos principalmente da Segunda Guerra Mundial, são produções abundantes. Especificamente sobre o acontecimento do qual se ocupa Conferência, também já houve alguns títulos, por exemplo, em 1984, uma produção da televisão austro-alemã.


Tanto o diretor, Matti Geschonneck, como os atores, Philipp Hochmair (protagonista, como o organizador da conferência, Reinhard Heydrich), Johannes Allmayer (como Eichmann), Maximilian Brückner e outros, tem muitos antecedentes na televisão alemã e alguns títulos também em cinema. Na maioria dos casos em filmes contra o nazismo. Por isso, aqui estão em um âmbito que lhes resulta bem familiar. Isto porque Conferência relata o sucedido no dia 20 de janeiro de 1942, em Wannseen, região de lagos próxima a Berlín. Nesse encontro, um total de 14 hierarcas nazistas provenientes de Alemanha e diversas regiões ocupadas militarmente, coordenou a denominada “Solução Final” do chamado ‘problema judeu’ – que se somou a outros, todos considerados inferiores (povos eslavos; homossexuais; negros; prostitutas) -. Os roteiristas, Magnus Vattrodt e Paul Mommertz, pesquisaram a Ata oficial da reunião para fazer este filme. Com aquele comentário prévio de que é muito improvável ainda em produções cuidadosas, ser totalmente fiel ao acontecido, deve-se dizer que em Conferência há uma aproximação bem interessante à mentalidade nazista. Embora não estiveram presentes os máximos chefes (Hitler, Goebbels, Himmler e Göring e alguns outros), o evento definiu o curso de uns dos capítulos mais sinistros dessa ideologia. Capítulo que significou a perseguição e assassinato de 6 milhões de judeus, sobre um total de 11 milhões que moravam em toda a Europa.


O relato é minucioso e chamam a atenção não só o ódio e a determinada frieza para aniquilar pessoas (incluindo crianças e mulheres) mas também alguns traços psicológicos dessas autoridades alemãs, como os ciúmes e o egocentrismo. Além disso, o cuidado de algum participante das leis imperantes na Alemanha sobre o tratamento dos judeus; as devastadoras consequências anímicas produzidas em alguns militares pelas cruéis matanças; os vínculos familiares dos nazistas que estavam em Wannseen etc. Nesse sentido, também no filme alemão A queda, de 2004, com inesquecível atuação de Bruno Ganz, representando a Hitler, houve elementos pessoais cuja presença foi elogiada e criticada pelos especialistas em cinema. A reconstrução física, edilícia, de arte, linguagem etc. é minuciosa. A gestualidade e as falas de cada personagem parecem próprias de cada um deles, historicamente falando. Porém, não se trata de um documentário e sim de uma recriação dramática, embora muito elaborada – procurando seguir a mencionada Ata registrada nessa ocasião. Nas imagens também aparecem empresas comerciais comprometidas com o regime nazista (Mercedes-Benz fornecendo veículos, Hugo Boss, os uniformes). Desde o ponto de análise da linguagem cinematográfica o saldo não é positivo porque sendo denso. A Conferência também é excessivamente falado, teatral e lento. Porém, resulta uma descrição bem detalhada de um encontro que significou o aprofundamento do massacre de milhões de pessoas indefesas unicamente pelo fato de ser judeus. Nessa perspectiva, resulta muito interessante.

Imagens fornecidas pelas assessorias ou retiradas da internet para divulgação. Biografias usadas são do IMDB.
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