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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Crítica Cinema | Jojo Rabbit

(Desenvolvimento com qualidade
By Alan David


Sinopse: Uma sátira da Segunda Guerra Mundial que acompanha um garoto alemão solitário (Roman Griffin Davis como JoJo). A visão de mundo de Jojo vira de cabeça para baixo quando ele descobre que sua mãe solteira (Scarlett Johansson) está escondendo uma jovem judia (Thomasin McKenzie) em seu sótão. Com ajuda apenas de seu amigo imaginário idiota, Adolf Hitler (Taika Waititi), Jojo deve confrontar seu nacionalismo cego. Elenco ainda conta com Sam Rockwell, Rebel Wilson, Alfie Allen, Stephen Merchant, entre outros. Direção e roteiro do próprio Taika Waititi. Distribuição nacional da 20th Century Studios BR. Estreia 06 de fevereiro de 2020. Para assistir ao trailer, clique aqui.

Jojo Rabbit


O fato de tratar de forma cômica a figura do Hitler não é nenhuma novidade, mas a missão do diretor Taika Waititi, conhecido por um humor mais escrachado não era só trazer risadas... como também um conteúdo bem desenvolvido. Tanto que o longa está com seis indicações ao Oscar, no qual inclui melhor filme e roteiro adaptado, quer dizer que... conteúdo e relevância o filme entrega. A história pega algo inocente em uma ambientação de uma época que traz vergonha para humanidade e muda paradigmas e na figura da criança Jojo cria camadas nas próprias crenças do garoto e como pensa um menino alemão ariano em uma Alemanha nazista (nada do que realmente é o nazismo). E nisso,  mostrar contrapontos no que ele acredita e o quanto era enganado quando ele conhece uma personagem judia escondida em sua casa, a Elsa. Nessa dobradinha estão as maiores propostas da trama, deixando realmente a figura do Hitler algo debochado e somente para trazer as risadas, só não pense que você terá apenas esses tipos de situações engraçadas e que vai ser algo leve de se assistir...


O inicio é tão galhofa que você pensa que será uma narrativa leve, mas a roda gigante de emoções nas situações que envolvem o garoto e a intolerância hedionda dos nazistas é colocada em tela em muitos momentos. Pois além de apresentar o ódio nazista aos olhos de uma criança; Todo o envolto, tensão, loucura e maldade vão sendo apresentados de forma bem satisfatória, sem chocar tanto claro, não é essa a proposta. Sem contar a personagem da Scarlett Johansson que lembra em conceito a Roberto Benigni em 'A Vida é Bela'. Aqui ela tem sua função ativista em busca de uma Alemanha sem guerra, ao mesmo tempo em que na frente do seu filho a personagem tenta não mudar de forma brusca os conceitos nazistas do garoto e fazendo das várias conversas deles, algo mais palatável, isso se estendo também a Elsa. Com isso temos ótimas cenas com eles e também as mais tristes conforme a história vai se fechando. Realmente é uma dubiedade de emoções, tudo parece tão bobinho e algumas cenas são bem tensas que tiram o sorriso do seu rosto para um silêncio total. Essas situações duram até sua conclusão que não tem o fechamento tão cômico ou tenso quanto foi toda a narrativa, mesmo assim, fica um final aceitável. Ah nisso tudo você deve se perguntar... e o Hitler? Não esqueci dele, só deixa de ter importância conforme a química de Jojo e Elsa vai se fortalecendo, terminando de forma que você nem esperava mais por suas aparições.
 

Toda montagem e design são feitos de forma bem cuidada, você compra que está em uma cidade alemã nazista, isso vai desde as locações aos figurinos dos personagens. A trilha sonora é bonitinha e consegue trabalhar bem os momentos engraçados e tristes. A edição não é perfeita, principalmente do meio para o fim, deixa espaços que poderia fluir melhor, principalmente em relação à mãe do Jojo e a sua causa. A direção de Taika Waititi é bem consciente das suas ideias, ele afrouxa e segura nos momentos certos, bem diferente de 'Thor: Ragnarok' que se escorou em um besteirol sem fim, não dando importância para as coisas ruins que vão acontecendo lá, em 'Jojo Rabbit' ele se mostrou bem mais competente nesse quesito. Sobre o elenco... O garoto Roman Griffin Davis foi bem favorecido pelo papel que era mais questionador e inocente, com falas e situações simples, mas quando as coisas o apertaram se mostrou um bom ator mirim. Thomasin McKenzie e sua Elsa tem um crescimento na história que ela não segura tão bem quando seu parceiro Jojo. Scarlett Johansson foi bem demais, sua personagem é o que deveria ser na trama, totalmente importante para a narrativa em si, ao contrário da Laura Dern em 'História de um Casamento' que é sua concorrente ao Oscar de coadjuvante que só tem falas feitas sem acrescentar. Taika Waititi como Hitler consegue ser engraçado e também descartável conforme o desenvolvimento das coisas vão fluindo. Sam Rockwell tem uma participação bem interessante e com uma bonita conclusão apesar do cerne em seu Capitão Klezendorf não ser uma pessoa. Um destaque final é a cena muita tensa... daquelas pisando em ovos, com Stephen Merchant. É apenas uma cena relevante e que envolve também Jojo, Elsa e Klezendorf que tira sua respiração, assistam essa parte com atenção.  Jojo Rabbit pode não ser uma retratação completa de um filme sobre a segunda guerra, mas traz personagens e conceitos em uma mistura de emoções e questionamentos que valem muito a pena acompanhar, tudo isso aos olhos de uma criança inocente que adorava o regime nazista sem saber o que realmente era aquilo e que vai evoluindo como ser humano a duras penas, mesmo tendo um amigo imaginário abobado na figura do Hitler, mas que garante também o humor. Muito bom filme.

Obs.: Biografias de atores e filmes IMDB. As imagens foram disponibilizadas pela assessoria da distribuidora do filme.
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 Dúvidas, sugestões, parcerias e indicações: contato.parsageeks@gmail.com

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