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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Crítica Cinema | Coringa

(Dor e violência no desenvolvimento do caos)


Sinopse: Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante. Elenco ainda conta com Robert De Niro, Zazie Beetz, entre outros. Direção e roteiro de Todd Phillips. Produção e distribuição da Warner Bros.

Coringa (Joker)


A origem do maior vilão dos quadrinhos é uma figura do caos que ronda a décadas por Gotham City nas histórias do Batman. Ao longo dessa jornada, tivemos muitos Coringas na TV e nos cinemas, sendo Heath Ledger o mais marcante, dele veio a encarnação da anarquia, ali o personagem já estava dominado pela maldade e de uma inteligência estratégica que junto a uma loucura maligna deu muito trabalho para o homem morcego no longa Batman: Cavaleiro das Trevas. Ele marcou época, e tornou o segundo filme da trilogia de Christopher Nolan o melhor do gênero até hoje. Antes tivemos nomes como Jack Nicholson e Cesar Romero que do jeito deles também conseguiram trazer a essência do palhaço do crime de alguma forma, só que em 2016, em Esquadrão Suicida, Jared Leto interpretou um Coringa diferente, de um método peculiar, o resultado foi horrível e ele será ridicularizado por isso para sempre... Chegamos em 2019, Joaquin Phoenix que já tem um jeito de atuar bem tresloucado, somado a ideia do diretor Todd Phillips e a bênção da DC de criar algo totalmente diferente, de época e a parte da linha cronológica dos filmes da produtora que já nem está mais tão aliada assim, tivemos uma promessa de algo surreal. Coringa levou prêmios em festivais, chegou com um hype enorme e cotado para o Oscar 2020, mas será que é isso tudo mesmo?


O filme tem um tom de arte, uma linha narrativa que tira o personagem Arthur Fleck de uma tresloucada jornada do qual o sofrimento, dor e distorção da realidade vai envolvendo o personagem e o próprio espectador. Nem mesmo você consegue distinguir em muitos momentos o que é real e o que são delírios, imagina no Arthur que à medida que sua vida vai se afundando... os seus próprios problemas psicológicos vão se acentuando, mas o sofrimento é tão grande que você acaba torcendo por ele, já que é uma pessoa problemática, que o mundo está deixando pior, isso fica bem explicado a cada interação com os outros personagens, a coisa só piora na cabeça do futuro Coringa. Levando em conta que é tudo muito artístico, de época e de uma intensidade que eleva as percepções humanas, tudo culmina em um ápice que vai precisar muito do Joaquin Phoenix conseguir encarnar a origem do caos, nisso ele flui muito bem, e quando isso soma-se a seu encontro com o personagem de Robert De Niro, em antes do "circo", o “pão” entregue nos diálogos são muito intensos e com a impressão que algo muito ruim acontecerá após isso, talvez uma das poucas coisas que me deixaram não tão extasiado, pois o roteiro realmente não entrega algo arrebatador, pois falamos do Coringa. Tudo parte de uma premissa de vanguarda, pontos de vistas e um vislumbre do que poderia ser o futuro, mas é nítido que aquilo é um arco fechado, por isso funciona bem, ficará melhor com o tempo se parar apenas dessa história. Para não dizer que está totalmente fora da cronologia e que não é uma adaptação poética baseada em HQs, temos o momento fan-service, muito bem encaixado por sinal.


A direção de arte entrega com sua ambientação dos anos oitenta, o retrato de um EUA afundado em crise financeira e violência que consegue ser bem expressada no longa, assim como figurino e o visual do Coringa com trejeitos de Cesar Romero e poses de Heath Ledger, somado a uma dose doentia acrescentado por Phoenix. A parte sonora é muito boa, dá a atmosfera necessária para que o roteiro necessita, deixa tudo mais envolvente. O diretor Todd Phillips consegue manter o ritmo necessário para uma imersão de loucura do protagonista, apesar da intensidade em momentos não serem tão lineares, principalmente quando se trata dos personagens a volta de Arthur Fleck. Sobre o elenco, Joaquin Phoenix foi o Coringa que o Coringa precisava ser, uma evolução de loucura, com risadas doentias e um jeito sofrido e necessário para justificar tudo que vai acontecer na trama, dentro de um visual que vai crescendo de forma assustadoramente satisfatória. Não tem uma comparação com Heath Ledger no sentido personagem, lá é um vilão pronto, dominado pela loucura e a inteligência para o mal, aqui é alguém surtando cada vez mais e sem nenhuma ambição que não seja se rebelar contra todo o sofrimento recebido por tudo e por todos, mas certo que entrega muito bem, longe da tragédia que foi Jared Leto. Temos um outro ator nisso, Robert De Niro sendo o velho ator que vimos, nada comparado as comédias fracas que ele fez nos últimos anos, conseguiu ser leve no tempo de tela, preparou o campo para quando encontrasse com o protagonista, conseguisse desenvolver algo que justificasse o que viria a seguir, grande atuação. No mais, não tem muito que falar sem soltar spoiler, mas o roteiro deixa alguns furinhos nos outros personagens que mesmo não sendo prejudiciais, deixa uns trincos narrativos. Coringa dá uma repaginada na origem do vilão, dentro de uma narrativa de dor, violência e loucura que retratam mais que apenas um personagem dos quadrinhos, e sim de uma pessoa com problemas que a sociedade só piorou. Contou a história que precisava contar,  marcou seu espaço nos longas dos quadrinhos com algo diferente e que consegue agradar quem gosta de arte e do inimigo do Batman, muito bom filme.

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