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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Crítica Cinema: Rasga Coração

(Contrapontos e choque de gerações contadas de forma inteligente)


Sinopse: Um casal suburbano formado por Manguari Pistolão (Marco Ricca, Sueño Florianópolis) e Nena (Drica Moraes, Getúlio) tem uma vida decente, mas financeiramente apertada. Eles depositam suas esperanças e economias no filho Luca (Chay Suede) que ele entre na faculdade e se forme um grande médico. No passado Pistolão foi um militante atuante contra a ditadura do qual protestava junto com seus amigo, entre eles, o excêntrico Bundinha (George Sauma). Ao vê que a namorada do seu filho (Luisa Arraes) sofreu preconceito no colégio particular onde estudam, Manguari incentiva seu filho a protestar contra o acontecido, o que trás lembranças tristes para ele, mas o pior será perceber que Luca pode não está muito certo sobre o que ele quer lutar. Elenco ainda contra com João Pedro Zappa, Duda Meneghetti, entre outros. Direção e Roteiro (esse junto à Ana Luiza Azevedo e Vicente Moreno) de Jorge Furtado. Produção Globo Filmes e Distribuição brasileira pela Sony Pictures.

 Cinema 549: Rasga Coração 


Um filme baseado em uma peça homônima, aqui temos comportamentos e contrapontos entre uma geração que militou em causas mais sérias e uma nova que realmente não se sabe direito o quer, tudo isso dentro dessa história de pessoas comuns. A forma de construção dos personagens é bem interessante, pois no começo temos uma longa cena de cotidiana entre os personagens de Marco Ricca e Drica Moraes para que passe ao público que são pessoais normais do qual não sairá um grande ápice, mais também que mostra bem o que é cada um dentro do contexto desse longa-metragem. O tempo certo ao entrar o filho deles é bem feito e toda aquela interação e comportamento para se justificar um choque de gerações. Além disso, temos flashbacks do passado do Manguari, toda sua militância, problemas com o pai e a vida louca do seu melhor amigo o Bundinha, esse um personagem bem interessante, sabe aqueles tipo que você já simpatiza de cara e fica esperando ele aparecer a todo tempo porque passa uma empatia... E ainda dá o alivio cômico para a história que é tensa, comportamental e tem uns pontos lentos.


Não é apenas ideias que são construídas aqui, temos muito do que é o protagonista Manguari Pistolão. As dores do passado e atuais, a forma que seu casamento se encontra, o marasmo no trabalho (essa parte tem uma subtrama que não é muito satisfatória). A história demora um pouco para dar seu rumo, quando chega ela atingi o ápice com a forma que Manguari incentiva seu filho a protestar, mas depois o roteiro dá algumas voltas e temos uns vinte minutos fracos que poderiam ser cortados e mais resumidos, até entrar nos eixos de volta e entregar um final bem coerente. Na parte atual dos jovens, temos diálogos interessantes, inclusive das causas que alguns lutam que nem sabe o porque, tem uma cena que justifica bem isso, quando se tenta incluir um assunto mais sério no protesto, mas a cegueira e necessidade de achar que o seu problema é o maior do que todos, mesmo não sendo a mais séria... E ainda dosagens pontuais de racismo e socialismo. Então temos um inicio distribuindo os personagens como vão se comportar, os flashbacks são bem executados, até porque ali é muito importante para o contraponto final e o desfecho da história, como dito anteriormente, tem um gordura que poderia ser tirada, pois prejudica no sentido de ritmo da história que já não é dinâmico, mas tem sustância.


Direção de arte é boa, maioria gravada em pequenos espaços, mas nos flashbacks tem uma boa fotografia do final dos anos 80. Trilha sonora casa bem com a proposta do filme, já o restante da parte técnica é bem lúcida, está bem gravado. Marco Ricca está muito bem, assim como Drica Moraes no qual sua personagem é alguém que se acomodou e se pega em valores medianos. A parte jovem do presente deixa um pouco a desejar na personagem de Luisa Arraes, não passa a lucidez que justificasse todo o plot central. Nos flashbacks, como dito antes, George Sauma com seu personagem Bundinha rouba a cena, mas todos estão bem, até porque são cenas de militância, protestos e tal, que exige mais uma personalidade marrenta e de ideais aos personagens, até por isso que Sauma se destaca, pois ele é que tem as características que fogem do usual. Rasga Coração é o cotidiano, contraponto e choque de gerações, aonde temos narrativa que se sustenta e que se tivessem uns 15 minutos a menos entregaria algo mais fluente, mesmo assim é a prova que se souber construir de forma correta um roteiro... Você consegue entregar uma trama interessante dentro de uma narrativa de ritmo cadenciado. Ficou bom mesmo.

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