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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Crítica Cinema | O Mal Não Espera a Noite - Midsommar

(Visão perturbadora de costumes de um vilarejo no meio do nada)


Sinopse: Dani (Florence Pugh) e Christian (Jack Reynor) formam um jovem casal americano com um relacionamento prestes a desmoronar. Mas depois que uma tragédia familiar os mantém juntos, Dani, que está de luto, convida-se para se juntar a Christian e seus amigos em uma viagem para um festival de verão único em uma remota vila sueca. O que começa como férias despreocupadas de verão em uma terra de luz eterna toma um rumo sinistro quando os moradores do vilarejo convidam o grupo a participar de festividades que tornam o paraíso pastoral cada vez mais preocupante e visceralmente perturbador. Elenco ainda conta com Will Poulter, William Jackson Harper, entre outros. Direção e roteiro de Ari Aster (Hereditário). Distribuição nacional da Paris Filmes. Estreia nacional em 19 de setembro de 2019.

O Mal Não Espera a Noite - Midsommar (Midsommar)


Midsommar de inicio já se percebe que não é um terror padrão, mostrando que o diretor Ari Aster tem uma assinatura própria no gênero, como foi em Hereditário. Agora temos uma pegada mais lenta, sem grandes sustos, apostando no psicológico, diálogos em situações questionáveis e mistérios comportamentais, tanto dos jovens, como e muito por parte dos moradores dessa pequena vila sueca. Isso mostrado já de cara nos acontecimentos iniciais com a protagonista Dani (Pugh), as dores que a garota já sofre devido a uma tragédia familiar e como isso afeta e coloca uma carga emocional também em seu namorado Christian (Reynor) e por consequência nos seus amigos, justificando os acontecimentos seguintes. Uma coisa precisa ser dita, pode parecer banal, um start apenas para dar um rumo a narrativa, mas prestar atenção nessas cenas iniciais, pode melhorar o entendimento do final. Isso também mostra que apesar de um roteiro forte, não é um filme para um público geral, principalmente nas opções que ele usa em contar essa história, isso acaba dificultando um entendimento mais tranquilo do que acontece naquele lugar e com os personagens.


O roteiro usa muitas metáforas, analogias e filosofias dentro de costumes locais que tenta misturar tudo e entrar na psique dos jovens que estão naquele lugar estranho, assim como tentar prender o espectador nessa narrativa. Tem momentos perturbadores sim, mas ao decorrer das cenas, começam a explorar cada vez menos os personagens, alguns pareciam que tinham muito a acrescentar, mas são excluídos em virtude de chocar e direcionar tudo a Dani, ativando motivações que não se mostravam ter, ao mesmo tempo em que um desapego entre eles que até o meio do filme não tinham demonstrações disso, muito pelo contrário, pareciam bem amigos e mais espertos do que acaba se tornando para que a trama ande, deixando tudo muito vago em virtude de cenas megalomaníacas, claro que na intenção de deixar tudo perturbador. Tudo isso para justificar um final que vislumbrasse e desenrolasse as dores da protagonista e também do seu namorado em comparações as esquisitices culturais e religiosas daquele povoado. Deixando a impressão que poderia ter sido mais bem contado o final, apostando menos em cenas perturbadoras.


Todo o visual do longa é muito bonito, com a fotografia daquele lugar no meio do nada, assim como o figurino que mesmo simples, são de uma grande presença de tela, isso acaba contribuindo muito com a proposta da história. A direção de arte é muito coesa com toda aquela ambientação, são casas simples, só que com estruturas, sinais e objetos que vão envolvendo mais a trama, já que não lhe entrega um terror padrão. Soma-se a parte sonora de suspense e cânticos irritantes que se encaixam naquilo tudo. Por se perder no desenvolvimento dos personagens e os deixando dispersos à medida que as coisas vão ficando estranhas, a edição começa a se perder junto, temos gente que vai sumindo em cenas importantes assim do nada, depois volta e sem nenhuma contribuição para a narrativa nesse meio tempo. Aqui vai muito do idealismo de Ari Aster, seu modo de conduzir um suspense com cara de terror, tomadas de câmera cheia nos rostos dos personagens e criando um jeito próprio de contar suas histórias, assim como foi em Hereditário. No elenco, Florence Pugh não consegue entregar tão bem como o roteiro exigia dela, ao fazer uma pessoa transtornada com as perdas, deixa muito caricato. Jack Reynor pior ainda, pois fez o atlético desejado, atuou mal mesmo. Os melhores foram Will Poulter e William Jackson Harper, ambos com personagens interessantes ao jeito deles, que pareciam ter mais a acrescentar na trama, mas são mal aproveitados depois de certo ponto.  O Mal Não Espera a Noite - Midsommar traz uma atmosfera perturbadora e desafiadora de costumes e relacionamentos, apostando em um suspense que acomete em situações surpreendentes, mas ao optar por esse tipo de narrativa, acaba deixando coisas boas no meio do caminho, mesmo assim é uma experiência visual e narrativa interessante, mas que não deve agradar ao grande público e também quem não gosta de excessos de metáforas, analogias e megalomanias.

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