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terça-feira, 27 de agosto de 2019

Crítica Cinema | Bacurau

(Mensagem objetiva e contundente na medida certa)


Sinopse: A história se passa em um Brasil de alguns anos no futuro, no qual temos Bacurau, um povoado do sertão de Pernambuco que some misteriosamente do mapa. Quando uma série de assassinatos inexplicáveis começam a acontecer, os moradores da cidade tentam reagir. Mas como se defender de um inimigo desconhecido e implacável?. Alguns moradores serão os líderes contra essa ameaça inusitada, como a médica Domingas (Sônia Braga), o casal Teresa (Barbara Colen) e Acácio (Thomas Aquino) e o filho pródigo do lugar, Lunga (Silverio Pereira). Elenco ainda conta com Udo Kier, Wilson Rabelo, Karine Teles, Thardelly Lima, entre outros. Longa escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho (Aquarius) e Juliano Dornelles. Distribuição nacional da Vitrine Filmes.

Bacurau


O longa nacional vem ganhando muitos prêmios e destaques pelos festivais de cinemas pelo mundo à fora, gerando a curiosidade do público do que seria esse tal Bacurau, encabeçados pela estrela Sônia Braga. O roteiro de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles tem um bom teor de crítica social e política, além de um envolvimento humano, no qual as maiores características seriam como pessoas lidam com pessoas em situações extremas e dentro de um contexto que pode ser fictício ou não, pois muitas metáforas e analogias comportamentais ditam o ritmo da narrativa, onde cada personagem que se destaca na história mostra um jeito de pensar que pode facilmente se transportada para um dia dia, sem a necessidade dos acontecimentos que se sucedem no filme. Exemplos: Uma cria daquele pequeno lugar que resolve voltar às origens (Teresa), uma médica que tem seus próprios demônios interiores (Domingas), um ex-assassino que tenta se convencer que está se tornando uma pessoa melhor (Acácio, pseudo Pacote), um ex-filho da vila que foi excluído por suas atitudes, mas dentro do que o lugar vem passando, ele retorna como a salvação (Lunga), além do conhecimento em tecnologia de pessoas tão simples, vislumbre de um Brasil tomado pela violência no futuro, entre outros detalhes peculiares que nem são tão sutis assim, você entende bem o contexto daqueles moradores de um vilarejo bem peculiar.


A trama tem um inicio bem sertão: A cidade pequena, político aproveitador e as dificuldades de pessoas simples em um contexto bem atual. Á medida que vai entrando no segundo ato e os personagens americanos vão entrando e tudo vai ficando muito esquisito e violento, o roteiro tem um plus de qualidade muito grande, pois além de preparar ambos os lados para a parte final, ali temos as maiores metáforas e sacadas inteligentes em cenas isoladas, como aqueles estrangeiros veem os brasileiros, o extremismos e o lúdico a situações que levam a gente a ficar tenso e odiar o que aquelas pessoas estranhas estão fazendo... Isso faz crescer ainda mais a empatia pelo povo de Bacurau e com o sentido de basta e resistência deles que nos leva a um final sangrento, mas bem consciente do que é sua mensagem. Cada um interpreta como quiser, seja vê aquilo apenas como um filme; outros como várias situações que mostram como a política e tragédias passadas são acometidas. Não pense que é tudo ideológico, pois o suspense e o carisma ditam muito da narrativa, consegue dentro das suas mensagens trabalhar seus três atos de forma bem correta (Uma pequena ressalva ao ato final, mas a frente falarei). Um filme sobre pessoas, acontecimentos e soluções dentro do que era possível.

Foto exclusiva do ParsaGeeks

Na coletiva de imprensa, os diretores e a Sônia Braga (Uma simpatia enorme) deixaram bem claro que é um filme de proposta firme e que não é indireta a nenhum governante (Até porque o filme vem sendo rodado à quase 10 anos, com isso, pegou vários governos), mas percebe-se que o envolvimento da equipe toda com o projeto e os lugares onde foi rodado o longa, principalmente o foco na entrevista que foi... Filme nacional gera trabalho as pessoas, isso é mostrado nos créditos, gerou muitos empregos, discurso diferente de 'Aquarius' que na divulgação e premiações os mesmos produtores optaram em mostrar suas críticas ao governo da ocasião, não se sabe se foi determinante para que Aquarius não tenha conseguido muitas salas de exibição nos cinemas brasileiros ou mesmo ser a indicação nacional para concorrer ao primeiro corte de filme estrangeiro do Oscar 2017. Voltando ao roteiro... Nem tudo são flores, por trabalha pessoas como comunidade, união e tal... Os personagens individualmente apesar de terem uma boa carga, são pouco explorados e faltou mais saber o que pensam e suas histórias, pois tudo giro em torno quase em sua totalidade apenas dentro dos acontecimentos de Bacurau, senti falta de mais camadas emocionais de Teresa, Domingas, Lunga e cia... pois tem gente ali com história para contar e complementar com os acontecimentos da trama. Fora isso, se perde um pouco no confronto final, apesar de clara a ideia de revidar, ficou meio solto ali, muito devido a um segundo ato que foi impecável por sinal, isso criou expectativas de um final mais detalhado, poderia ter fluído melhor, ficou aquela sensação e cacoete de filme nacional que encerra de forma muito acelerada depois de trabalhar bem o roteiro até ali, mas não prejudica o entendimento e imersão geral da trama.


A fotografia é muito bonita e toda a direção de arte com seus detalhes em transportar a gente para aquele lugar chamado Bacurau é bem feita. A edição é boa, mas como dito, por não desenvolver os personagens em si e o final meio acelerado, acaba não sendo a fluência que merecia ter, fora isso, visualmente na proposta feita, funciona muito bem. Além disso, a parte sonora é boa, consegue trazer o suspense no tempo certo e na parte de ação tem o seu valor. Sobre o elenco... Sônia Braga está muito bem, sua personagem tem seus momentos que mostram o melhor a estrela brasileira e um deles é no ato final com Michael (Udo Kier, outro foi muito bem) que de lá sai uma cena que mesmo pessoas falando em idiomas diferentes, conseguem passar uma emoção e tensão enorme. Outro destaque para Silverio Pereira, com seu Lunga, mesmo não sendo aprofundado, o que lamento, pois dava para ter tirado mais daquele personagem, dentro dos acontecimentos ele é muito funcional e contundente. No geral foram boas atuações em ambos os lados (Moradores e os Americanos). Bacurau é uma jornada sobre pessoas que se superam nas dificuldades em situações que podem a primeira vista parecerem inusitadas, mas que na verdade é tão atual e realista como qualquer coisa que vimos e estamos vivendo socialmente e politicamente, dentro de uma narrativa de suspense, violência e personagens que foram trabalhados como um todo, uma comunidade que resolveu dar um basta e revidar. Uma obra interessante que tem muito que se refletir ao final dela, às vezes também é necessário histórias assim, todos tem seu espaço e o que dizer, tudo é arte... Nós brasileiros precisamos de mais arte, entre outras coisas.

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