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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Crítica Cinema: A Mula

(Protagonista forte em uma história tranquila)


Sinopse: Filme dirigido e protagonizado por Clint Eastwood (Menina de Ouro) que conta a história de Earl Stone, um senhor de 90 anos que tem um estilo de viver que o distanciou da sua família, mas em um lance do destino ele vira mula (Transportador de drogas de um lugar para o outro) de um cartel do tráfego mexicano. Ao longo dessas viagens Earl vai aprendendo os perigos dessa "profissão" e também vai refletir do que é certo a se fazer, principalmente em relação aos seus familiares, além disso, ficará na mira do FBI, liderado pelo Agente Colin Bates (Bradley Cooper, Nasce uma Estrela). Elenco ainda conta com nomes como Michael Peña (Homem-Formiga e a Vespa), Lawrence Fishbourne (Matrix), Taissa Farmiga (A Freira), entre outros. Produção e distribuição pela Warner Bros.

A Mula (The Mule)


Baseado em fatos reais (História de Leo Sharp, um senhor de 90 anos que se tornou mensageiro do cartel de drogas), temos uma narrativa bem induzida na jornada de Earl, não exatamente nos perigos e dificuldades dessa "profissão" de risco, ao longo da história temos um personagem tranquilo, sem papas na língua e que atingiu uma maturidade mental e física muito boas para um homem dessa idade, mas também vemos sua falha com a família, algumas situações o coloca como o indesejável aos seus familiares, na maioria das vezes culpa dele, isso que o acaba levando a ser uma mula para o cartel mexicano. As semelhanças com Nebraska de Bruce Dern são grandes, um senhor veterano em uma jornada sobre um objetivo palpável, só que na verdade é algo intangível que ele tem que alcançar. Aqui em A Mula, devido ao estilo de viver do protagonista, tudo segue na calmaria, poucas cenas de tensão e mais de comoção, humor inteligente e até  com dramas batidos, essa mistura não deixa cansativo a trama, só não tem uma base muito forte para esperar algo  impactante mais na frente.


Por ter um objetivo claro e preponderante na jornada do aprendizado de alguém de noventa anos e interpretado com toda desenvoltura que trás Eastwood nesse papel apesar da idade (Ator e diretor já está com 88 anos)... Para isso acontecer o roteiro abre algumas portas paralelas para que faça sentido nas decisões de Earl, mas assim que cumpre o objetivo em cada subtrama, acaba descartando o que não for diretamente ligado ao protagonista, lances com neta, com um imediato e até chefe do cartel (Interpretado por Andy Garcia, 11 Homens e um Segredo) ficam mal resolvidas pós aquilo ter impactado nos caminhos de Earl, deixando algumas pontas soltas, coisa que você só percebe em um panorama geral, se focar apenas no senhorzinho viajante, nem percebe tanto. Os contrapontos e metáforas são feitos dentro de uma lógica do personagem que inclui certa crítica política e também ao simples fato que "Cara ele tem 90 anos, não tem mais que ficar ponderando nada nessa altura da vida", nisso cumpre bem seu papel.


Aquele visual de estrada e casas de cidade pequenas típicas dos EUA é bem ambientado, não exige muito uma direção de arte sofisticada. A trilha sonora é bem reflexiva dentro das viagens de Earl, quando ele mesmo não canta. A montagem quando se trata do protagonista é muito boa, sempre ilustrando cada viagem dele como Mula, chegando a quatorze, mas como referido acima, subtramas de personagens coadjuvantes são deixadas de lado no sentido de uma finalização quando atinge sua meta de desenvolvimento do protagonista. As atuações... Clint Eastwood está muito bem, já que o filme é somente ele, suas falas e modo de atuar são um deleito para o fã do ator, apesar de que se percebe que seus movimentos estão lentos (O homem tem quase 90 anos), puxando para o Brasil e dada às devidas proporções... Seriam a mesma coisa para quem assistiu Os Saltimbancos Trapalhões - Rumo à Hollywood (2016) é mais ou menos como se portou fisicamente Renato Aragão (Didi) naquele longa-metragem. Os nomes conhecidos no elenco não faltam, tirando Bradley Cooper que tentam dar uma camada ao seu personagem, os outros só estão deixando a embalagem bonita algo que poderia ser feito por nomes desconhecidos, já que eles não têm importância pessoal na trama que não seja aumentar o desenvolvimento do personagem do Eastwood. A Mula é um filme que tem um objetivo claro que é a jornada de um senhor de noventa anos que aproveita a chance de ganhar algo físico, só que na verdade está em busca de algo para seu interior, trás uma narrativa simpática e ajudada pela atuação solta e leve de Clint Eastwood. Peca em abrir portas demais que não às fecham quando não servem mais para desenvolver o protagonista, só que no geral entrega algo tranquilo, ancorado da simpatia de Eastwood e sem muitas ambições que não seja demonstrar que o ator ainda consegue atuar e que o personagem era mais que perfeito para ele interpretar. Ficou bom.
 
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