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sábado, 26 de janeiro de 2019

Crítica Cinema: Green Book - O Guia

(Inversão de papéis em uma época complicada)


Sinopse: Baseado em fatos reais, a história se passa em 1962 nos EUA, uma época em que o racismo tomava conta do país... Temos a história de Tony Lip (Viggo Mortensen, O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei) um cara durão que vive de bicos para trazer sustento para sua esposa e seus dois filhos. Ele consegue um trabalho de motorista para o pianista Don Shirley (Mahershala Ali, Moonlight), no qual irão atravessar o país em uma turnê de shows. Mesmo sendo um excelente artista... Don sofre muito com o preconceito por ser negro e esse choque de realidade dele para o estilo de vida do Tony será uma jornada de aprendizado ao dois sobre a vida. Isso tudo à cada lugar que eles pararem para a apresentação do músico. Elenco também conta entre outros nomes com Linda Cardelline (Pai em Dose Dupla 2). Filme teve cinco indicações ao Oscar 2019 (Incluindo melhor filme, ator e ator coadjuvante) com direção de Peter Farrelly (Eu, Eu Mesmo & Irene) que também é responsável pelo roteiro ao lado de Nick Vallelonga (Também atua no filme). Distribuição brasileira pela Diamonds Films.

Green Book - O Guia (Green Book)


Do mesmo diretor de comédias escrachadas como Deby & Lóide e também Eu, Eu Mesmo & Irene... Peter Farrelly tem a missão em Green Book de conduzir uma história séria e com pontos de drama sobre inversão de papéis que era pouco convencional de acontecer nos EUA dos anos 60. Aqui temos um Tony que apesar de ser descendente de italianos não tem uma vida fácil e vai de encontro do bem sucedido Shirley que apesar de todo sucesso profissional ele não é aceito pelas pessoas por ser negro, isso fica evidente quando ele não está se apresentando, pois ele sofre a dureza de uma época de intolerância racial, aliás, a narrativa tende a mostrar que ele tem problemas nos dois lados, pois também não reconhece suas origens. Então temos o campo pronto com dois personagens com dificuldades... Seja social ou comportamental e que se completam, pois durante a jornada eles conversam muito e a cada diálogo um está aprendendo com o outro, isso o roteiro consegue ser bem claro.


O filme tem um inicio lento e trabalha o personagem de Mortensen de uma forma que o deixe estabelecido como o cara durão e com dificuldades financeiras, mas que não se deixa abater. Tudo é dentro da visão dele, todas as cenas mesmo as poucas individuais com Don (Mahershala) são uma construção para algo que envolve o Tony. Os contrapontos do jeito dele de ser e do Don são bem interessantes, a forma que um corrige o outro são elaboradas de um jeito sutil e que acrescentam muito para a história... Seja Don com broncas que se dá em uma criança para Tony ou do próprio Tony com falas que acabam surpreendendo Don e o faz pensar a cada palavra do seu motorista. A trama é simples, pois eles vão atravessando a cidade e a cada parada algo acontece que vai construindo o laço entre os dois. Além disso, a forma de racismo que é colocada no filme é bem intensa e triste, só que as soluções são de acordo com a personalidade da dupla, um segura a barra do outro. Não temos um grande ápice e nem fica bem claro os seus três atos, pois quando você percebe tudo se encaminha para o fim e a proposta de mudar os dois protagonistas como pessoas ou amigos são bem entregues. Apesar de um ritmo mediano sem empolgar, temos algumas cenas com diálogos fortes quando Don Shirley se questiona sobre sua condição na sociedade ou perto do fim em que fica provado que Tony se torna importante para que ele consiga encontrar seu lugar como pessoa.


A direção de arte é boa dentro do possível para uma adaptação de 1962 de pequenas cidades nos EUA. Apesar de ser uma história envolvendo um músico, não tem uma trilha sonora que chame atenção. Fotografia em sua ambientação não me pareceu tão convincente, até porque se baseia mais em diálogos dos protagonistas. Fechando a parte técnica, a edição não compromete a transição em sua proposta que é a cada cidade temos um acontecimento e no meio do caminho para elas... Diálogos para evoluir os personagens que são bem feitas e sem problemas de execução. Sobre o elenco... Viggo Mortensen consegue transparecer bem seu personagem que é durão e malicioso ao mesmo tempo tem uma ingenuidade e sabedoria que surpreende. Mahershala Ali encaixou bem no personagem, consegue dar a imponência e articulações verbais necessárias e nas partes que precisa dramatizar em suas dores, consegue de forma bem satisfatória... Restante do elenco é só complemento, o longa-metragem é apenas focado nos dois. Green Book - o Guia faz uma inversão de papéis sociais dos americanos nos anos 60, mas que ao mesmo tempo deixa claro as dificuldades de ambos e de como cada um aprende com o outro. Apesar de uma narrativa sem grandes alardes, consegue entregar bem sua mensagem, ficou muito bom.

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